Cadbury recusa oferta bilionária da Kraft Foods

Companhia dos EUA propõe pagar US$ 16,7 bi pela concorrente britânica

Agências internacionais, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

08 de setembro de 2009 | 00h00

Com marcas conhecidas como Nabisco e Trakinas, a empresa americana Kraft, que no Brasil produz o Bis e o Sonho de Valsa, negocia a compra da britânica Cadbury, um dos maiores grupos mundiais de alimentos, com dezenas de marcas centenárias. O grupo fez uma oferta na qual se propõe a pagar US$ 16,7 bilhões, incluindo oferta de ações, um valor considerável, no entanto insuficiente para a Cadbury.

Apesar da recusa inicial, a companhia americana prometeu continuar a negociar com a concorrente. As ações da Cadbury dispararam por causa da proposta. A alta foi de 41% na Bolsa de Valores de Londres.

A companhia britânica informou que a oferta estava abaixo do valor real da operação e expressou confiança em sua "estratégia autônoma e seus projetos de crescimento, graças à força de suas marcas, sua categoria única e seu alcance geográfico".

"A combinação (com a Cadbury) vai reforçar a posição da Kraft Foods como uma potência global em aperitivos, doces e refeições rápidas com uma rica carteira de marcas ícones", informou a Kraft.

O acordo entre as multinacionais criaria uma companhia com receita anual na casa dos US$ 50 bilhões e uma participação de 15% do mercado mundial de confeitos, segundo analistas.

As vendas da Kraft em 150 países alcançaram US$ 41,9 bilhões no ano passado, entre snacks (38%), bebidas (20%), produtos lácteos (18%), pratos preparados (15%) e comestíveis variados (10%).

A Cadbury, segunda maior fabricante de chocolate, goma de mascar e doces depois da Mars, em vendas de produtos, não comentou a oferta, mas seus executivos estão preparados para a volta da munição da Kraft em sua direção.

Em 2008, a Cadbury detinha 10,3% do mercado mundial de confeitos, atrás da Mars, com 14,8%. A Kraft era dona da quinta posição, com 4,5%. Na categoria de goma de mascar a britânica possuía no ano passado 28,4% das vendas globais. Já a Kraft contribui com apenas 0,1%.

A Kraft prometeu salvaguardar a equipe britânica se a oferta for bem sucedida, mas recebeu ontem uma proposta indiferente dos representantes dos trabalhadores. "É essencial que ninguém faça promessas precipitadas que deem falsa esperança para a força de trabalho e, em particular, para nossos membros sob ameaça de excesso na unidade de Somerdale", informou Jennie Formbym representante do setor de alimentos da Unite, maior sindicato do Reino Unido. A Kraft disse que planeja manter aberta a unidade de Somerdale, no sudoeste da Inglaterra, se a sua oferta pela Cadbury for bem sucedida.

O sindicato Unite pediu encontros com as empresas para avaliar o que a oferta significa para o futuro no longo prazo dos empregados do Reino Unido para todas as unidades da Cadbury, assim como o impacto do negócio sobre as condições e pensões dos trabalhadores.

Analistas já trabalham com a hipótese de a oferta da Kraft desencadear contraofertas de grandes nomes da indústria. A Evolution Secutiries acredita que existe uma chance razoável de que a Nestlé e a Hershey?s possam fazer uma contraproposta, com a Nestlé assumindo operações de goma de mascar da Cadbury e a Hershey a de chocolates.

A Evolution questiona como a Kraft vai financiar a aquisição, considerando que tem cerca de US$ 15 bilhões em dívida gerada pela compra das operações de biscoitos da Danone.

"Uma questão-chave é se existirá uma contraoferta, mas provavelmente de um consórcio encabeçado pela Nestlé", opinou Graham Jones, analista da Panmure Gordon & Co. "Mas o mais provável é que a Kraft seja exitosa com uma melhor oferta", disse.

A Kraft é resultado de fusões feitas nos anos 80 e 90. Junto com a General Foods, foi comprada pela Philip Morris, que buscava diversificação. Em 2001 a companhia colocou a Kraft na bolsa.Naquela época, o capital foi pulverizado entre acionistas institucionais. Os principais acionistas são Warren Buffett e Berkshire Hathaway.

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