Arnd Wiegman/Reuters
Arnd Wiegman/Reuters

Cade aprova fusão de cimenteiras Holcim e Lafarge

Órgão aceitou a proposta das empresas de vender ativos dos dois grupos em troca de autorização para concretizarem o negócio

NIVALDO SOUZA, O Estado de S.Paulo

11 Dezembro 2014 | 02h05

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a fusão entre as cimenteiras suíça Holcim e a francesa Lafarge, mas impôs vendas de ativos de ambas companhias. O tribunal aceitou a proposta das empresas para que o negócio fosse fechado com a venda de fábricas de cimento e concreto, além de centros de distribuição em um raio de 300 quilômetros entre as marcas.

As empresas propuseram vender fábricas de cimento da Holcim em Cantagalo (RJ) e da Lafarge em Santa Cruz (RJ) e Cantagalo. As companhias também vão se desfazer das unidades de concreto da Holcim em Pouso Alegre e da Lafarge em Arcos, ambas cidades em Minas Gerais. Ficou acertada também ainda a venda de centros de distribuição controlados pela Holcim em Pouso Alegre e da Lafarge em Arcos.

A aprovação da fusão, com a venda de parte dos ativos das duas companhias, abre caminho para se criar a quinta maior cimenteira do País, caso a compra dessas unidades seja feita por um único grupo, afirmou o relator do processo no Cade, Gilvandro Araújo. Essa nova companhia ficaria apenas atrás da Votorantim, da InterCement, do grupo Camargo Corrêa, da combinação Holcim-Lafarge e da João Santos.

Segundo Araújo, a fusão só poderá ser concluída após a venda desses ativos. "A operação só pode ser concretizada após a efetiva alienação dos ativos. Cumpre-se primeiro a obrigação e depois se consuma a operação", determinou.

O relator do processo destacou a cooperação das empresas como uma "proatividade" importante para a tomada da decisão. "Isso é importante porque o Brasil internaliza o que é feito no mundo inteiro, que é um diálogo prévio", disse.

As empresas afirmaram, em novembro, que esperam vender os ativos até o final de janeiro de 2015. A Holcim disse que já havia recebido 60 ofertas de empresas interessadas nos ativos à venda. As cimenteiras haviam proposto a solução em agosto para ter a fusão aprovada.

Fusão. A união das duas maiores fabricantes de cimento do mundo, Lafarge, da França, e Holcim, da Suíça, anunciada em abril, criará uma companhia com vendas combinadas de US$ 44 bilhões. Na transação, a Holcim ficará com uma fatia de 53% da nova empresa e, a Lafarge, de 47%. A gigante será sediada na Suíça, com ações listadas nas bolsas de Zurique e Paris.

Na transação, os acionistas da companhia francesa receberão uma ação da Holcim para cada papel que possuírem. O negócio é a maior associação já feita na indústria e irá ajudar as companhias a reduzir custos, diminuir a dívida e lidar melhor com o aumento dos preços da energia, com uma demanda mais fraca e com forte concorrência, fatores que vêm afetando o setor desde a crise econômica de 2008.

As duas gigantes do cimento já começaram um processo de vendas de ativos ao redor do mundo. Em maio, as duas empresas propuseram se desfazer de ativos responsáveis por cerca de US$ 4,3 bilhões em receita como parte de uma estratégia para garantir a aprovação da fusão que vai redesenhar a indústria mundial de cimento.

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