Cade aprova venda de Olla e Jontex pela Hypermarcas

Cade aprova venda de Olla e Jontex pela Hypermarcas

Para evitar concentração de mercado pela empresa Reckitt Benckiser, Cade obrigou a venda do seu lubrificante para um terceiro concorrente

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2016 | 13h47

BRASÍLIA - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, com restrições, a venda pela Hypermarcas de sua divisão de preservativos e lubrificantes íntimos - com as marcas Olla, Jontex e Lovetex - para o grupo britânico Reckitt Benckiser, que já detinha a marcas Durex e KY. Para isso, a Reckitt se comprometeu a vender a marca KY no Brasil para um terceiro concorrente.

O negócio, estimado em R$ 675 milhões, foi anunciado em janeiro deste ano. A Jontex e a Olla são líderes de vendas de preservativos no País, enquanto a Durex tem ganhado espaço nos últimos anos. Já no mercado de lubrificantes íntimos, as marcas KY e Durex têm predominância, seguidas pela Jontex.

Em parecer publicado no começo de agosto, a Superintendência-Geral do Cade havia recomendado a não aprovação da operação. Apesar da existência de competidores relevantes como Blowtex e Prudence no mercado brasileiro de "bem-estar sexual", a superintendência alegou que a concentração de marcas nas mãos da Reckitt Benckiser poderia levar a aumentos relevantes nos preços dos produtos.

Mas, de acordo com o conselheiro relator do caso, Paulo Burnier, o potencial de elevação de preços com a operação ocorreria apenas no mercado de lubrificantes íntimos, e não no de preservativos masculinos. Por isso, as empresas assinaram um Acordo de Controle em Concentrações (ACC) por meio do qual se comprometem a vender a marca KY no País para um terceiro concorrente que tenha condições de rivalizar neste mercado.

Para Burnier, que foi acompanhado por unanimidade pelos demais conselheiros do órgão antitruste, a venda da KY é um remédio estrutural suficiente para garantir a competitividade no mercado de lubrificantes íntimos.

"Existem barreiras significativas para a entrada e consolidação de novos concorrentes nesse mercado devido à fidelização com a marca. Isso demandaria, sobretudo, um alto gasto em publicidade e marketing", considerou o relator. "A concentração geraria mais preocupações quando se observa a evolução dos preços desse produto nos últimos anos", completou.

O Cade não informou quanto tempo a Reckitt Benckiser terá para vender a marca KY, mas os conselheiros consideram que, devido à força da marca no mercado nacional, o processo não terá problemas para ser realizado dentro do prazo estipulado no ACC.

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