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Cade autoriza CSN a indicar membros para conselhos da Usiminas

Em 2012, o Cade havia retirado os direitos políticos da CSN sobre a siderúrgica mineira; as duas companhias são rivais, mas a CSN é a maior acionista minoritária da Usiminas

Bernardo Caram, O Estado de S. Paulo

27 de abril de 2016 | 15h24

BRASÍLIA - Concorrente direta da Usiminas, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) agora poderá fazer parte do centro de decisões da siderúrgica mineira, com cadeiras nos conselhos de administração e fiscal da rival. O sinal verde foi dado ontem pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que mudou de visão, já que no ano passado havia negado pedido semelhante. Após a decisão, as ações das duas empresas fecharam com forte alta na Bolsa, com a Usiminas liderando o Ibovespa, com elevação de 7,5%, e a CSN 5,28%.

A reunião do novo conselho de administração será realizada hoje e deverá perder dois de seus membros: Marcelo Gasparino, presidente do conselho, e Mauro Cunha. Ambos representam os minoritários. Cunha já tinha se manifestado neste mês sobre não concorrer à vaga. O BTG, também sócio, indicou nomes.

Os nomes indicados pela CSN para o conselho administrativo são Gesner Oliveira e Ricardo Weiss, como titulares, além de dois suplentes. Wagner Mar foi indicado para o conselho fiscal. A Ternium, que faz parte do bloco de controle, vai recorrer da decisão. A Nippon não comentou o assunto.

Fontes próximas aos acionistas acreditam que, se não houver consenso entre os dois principais sócios - Ternium e Nippon - na reunião prévia de amanhã, a CSN poderá ter até um dos seus indicados como presidente do conselho. Outra fonte, também próxima aos acionistas, entende que o Cade só autorizou os dois indicados como membros do conselho, sem maior influência.

Maior acionista fora do bloco de controle, com 13,3% de fatia na Usiminas, a CSN teve seus poderes políticos na siderúrgica mineira retirados pelo Cade em 2012 (e respaldado em 2014), depois de a companhia de Benjamin Steinbruch ter comprado ações e acumulado uma fatia relevante do capital social da empresa. 

Votos. Nesta semana, o órgão antitruste surpreendeu o mercado ao rever esse ponto. A decisão foi tomada com três votos favoráveis e a discordância de dois conselheiros. A flexibilização do Cade reflete as atuais mudanças de condições de mercado e o atual conselho da siderúrgica. Como parte do despacho, um representante do Cade será designado para acompanhar ‘in loco’a votação do conselho, que será realizada hoje. Também fica exigida a independência dos conselheiros, para garantir que não haja influência da CSN sobre a Usiminas.

O conselheiro Alexandre Macedo, que votou em favor da CSN, usou como argumentos as sucessivas crises vividas pela Usiminas e a disputa entre seus controladores. Para ele, a possibilidade de falência da siderúrgica poderia ser pior para o mercado.

Já para conselheiro João Paulo de Resende, contrário ao despacho, a CSN pode prejudicar sua rival ao acompanhar de perto decisões estratégicas. “É como colocar a raposa para cuidar do galinheiro”, disse. O conselheiro Márcio de Oliveira Júnior ressaltou que a flexibilização dos termos não inviabiliza o acordo fechado em 2014, no qual a CSN tem de reduzir sua participação na Usiminas.

Na segunda-feira, a CSN encaminhou uma petição à Justiça alegando que a Nippon prejudicou as finanças da Usiminas. De acordo com a petição, o montante de contratos entre a siderúrgica mineira e subsidiárias da Nippon subiu 10 vezes entre 2010 e 2014, segundo as fontes.

O documento tem como objetivo suspender o aumento de capital de R$ 1 bilhão na Usiminas com garantia de exercício dada pela Nippon. / COLABORARAM MÔNICA SCARAMUZZO E FERNANDA GUIMARÃES, COM REUTERS

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