Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Cade deverá avaliar influência de Abilio na BRF e no Carrefour

Apesar de empresário negar conflito, fonte do órgão diz que presençade empresário nos dois conselhos será analisada

O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2014 | 02h05

BRASÍLIA - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deverá avaliar se a presença de Abilio Diniz nos conselhos de administração da BRF e do Carrefour Brasil configura algum conflito de interesses, uma vez que a fabricante de alimentos é uma fornecedora relevante da varejista. O empresário também é sócio minoritário das duas empresas. "Certamente será analisado pelo Cade, porque envolve uma questão de cruzamento vertical", afirmou uma fonte do órgão ao Estado.

Questionado ontem sobre esse possível conflito, durante teleconferência sobre sua entrada no rol de sócios do Carrefour, com direito a escolher dois dos onze conselheiros da empresa no País, Abilio negou veementemente que haja qualquer impedimento para sua presença nas duas companhias. "Não foi feita nenhuma consulta (ao Cade) e não há nenhuma razão para fazer. Se tivesse alguma razão, nós faríamos", afirmou o empresário.

Na teleconferência, o presidente global do Carrefour, Georges Plassat, também afirmou a presença de Abilio no conselho da varejista no Brasil não configura, em sua opinião, qualquer conflito de interesse.

Procuradas ontem pelo Estado, fontes próximas à negociação entre Abilio Diniz e Carrefour afirmaram que não existiria conflito porque o empresário não terá influência direta na administração da varejista brasileira. Além disso, a participação da Península, companhia por meio da qual Abilio investiu R$ 1,8 bilhão no Carrefour Brasil, é minoritária, de 10%. Mesmo que ele exerça a opção de comprar mais ações, sua fatia não ultrapassará 16%.

Além disso, ao contrário do que ocorria com o Casino, seu sócio no Grupo Pão de Açúcar, a relação entre Abilio e o Carrefour é amigável. Então, o novo sócio francês do brasileiro certamente não vai questionar a presença do empresário na presidência do conselho da fabricante de alimentos, como fez o Casino no ano passado.

O atual controlador do Pão de Açúcar pediu que Abilio renunciasse ao conselho da varejista em 2013, em razão da intensa relação entre as duas companhias. O imbróglio só foi resolvido no ano passado, quando Abilio fez acordo para deixar o cargo. Em 2014, a família Diniz se desfez aos poucos de suas ações do GPA. / MÔNICA SCARAMUZZO, FERNANDO SCHELLER, DAYANNE SOUSA e NIVALDO SOUZA

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