Divulgação
Divulgação

Cade firma acordo e Bradesco, Cielo e BB pagarão R$ 33,8 mi para encerrar investigação

Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) encerrará processo que investiga condutas anticompetitivas adotadas pelas empresas

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2018 | 14h37

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) firmou acordo com a Cielo e suas controladoras Bradesco e Banco do Brasil e encerrará processo que investiga condutas anticompetitivas adotadas pelas empresas. Pelo acordo, elas pagarão um total de R$ 33,8 milhões e se comprometeram a cessar as práticas irregulares. 

As instituições são investigadas por discriminar lojistas que usam "maquininhas" concorrentes da Cielo. Entre as práticas denunciadas está a não antecipação de crédito com base nos recebíveis para clientes de outras credenciadoras - o que, para muitos lojistas, é essencial para manutenção de suas atividades - a cobrança de taxas maiores desses clientes e a venda casada de contratos da credenciadora e de serviços dos bancos, como a abertura de contas.

A maior multa será paga pela Cielo, de R$ 29,7 milhões. O Bradesco pagará R$ 2,23 milhões e o BB, R$ 1,94 milhão. Trata-se de o maior montante já pago por empresas em investigação de conduta unilateral, que ocorre quando uma empresa impõe barreiras a concorrentes no mercado. "O acordo permitirá um ambiente de maior liberdade de negociações entre clientes, credenciadoras e bancos", afirmou o presidente do Cade, Alexandre Barreto. 

O conselheiro João Paulo Resende votou contra a homologação do acordo e fez duras críticas ao Cade por firmar acordos na casa de milhões com bancos que faturam bilhões e que "reiteradamente adotam condutas anticompetitivas". "Estamos diante de um altíssimo nível de reincidência por parte de bancos e credenciadoras. Estamos falando dos agentes de maior poder econômico do Brasil, empresas com altíssimo faturamento. Os valores estão muito aquém da capacidade dissuasória", afirmou.

Outros conselheiros também criticaram o valor e mostraram preocupação com as reiteradas irregularidades apresentadas no setor, apesar de terem votado a favor dos acordos. O inquérito contra bancos e credenciadoras foi instaurado em 2016. Em julho, o Itaú e sua controlada Credicard também firmaram acordo no mesmo processo com o Cade e pagaram R$ 21 milhões.

Cielo, Elo, Itaú e Redecard já haviam firmado acordo com o Cade em outro processo que investiga acordos de exclusividade entre bandeiras e credenciadoras de cartão de crédito.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.