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Cadê meu crédito que deveria estar aqui?

Vemos várias boas intenções, mas que não trouxeram resultados; algumas tentativas de ação nos levam a verdadeiros nós górdios

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2020 | 05h00

Os tempos que estamos vivendo se mostram realmente confusos. Há coisas que, por mais esforço que façamos, não entendemos. Uma das consequências da pandemia e da necessidade de isolamento social foi o fechamento temporário das empresas. E, como resultado terrível dessa situação, temos a perda quase total da receita, levando assim ao fechamento definitivo de muitas empresas, principalmente as micros, pequenas e médias (PMEs). A solução sabida por todos para evitar a quebradeira geral é fornecer recursos para que as empresas possam passar por essa tormenta. Se isso é mais do que sabido, por que o crédito não chega às empresas? Principalmente às PMEs? 

O que vemos são várias boas intenções, mas que não trouxeram resultados. Algumas tentativas de ação nos levam a verdadeiros nós górdios. O próprio Congresso tem buscado discutir leis que se mostram muito bem-intencionadas, mas que podem piorar a situação. Por exemplo, discute-se leis que proíbam os bureaus de crédito de negativarem os inadimplentes. Isso, para evitar a quebradeira dos endividados. Mas, e quem precisa de crédito novo? Boa intenção, mas que pode levar a uma situação pior. Sem informações, as empresas e comércio em geral paralisam a concessão de crédito. Sem conhecer a qualidade do devedor, as próprias regras impedem de dar crédito. 

O governo federal, no campo econômico, tem mostrado boas intenções, tentando disponibilizar várias linhas de crédito para as PMEs. Mas as empresas não conseguem acesso às linhas. Num primeiro momento, foram disponibilizados bilhões de reais, mas por que as empresas não viram a cor desse dinheiro? Porque, para chegar na ponta, dependiam do sistema financeiro. E, pelas regras internas das instituições e falta efetiva de interesse, o fluxo de recursos não aconteceu. Quem buscou teve muitas frustrações, ausência de respostas. Quando tinha algum retorno, só com taxas muito acima das anunciadas ou, pior, propostas para tomar crédito no nome do empresário, e não da empresa.

O recém-lançado Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) tenta quebrar esse ciclo, prometendo fornecer em torno de R$ 16 bilhões a título de capital de giro aos pequenos negócios, até 30% do faturamento de 2019 com taxa de juros máxima igual a Selic +1,25% ao ano, prazo de 36 meses e carência de 8 meses. Mas isso só será possível com a desintermediação financeira. Uma linha direta entre o credor e o tomador de recursos. O governo oferece os recursos, as garantias e indica os agentes. Vamos ver se agora o dinheiro chega onde tem de estar: na mão de quem emprega e gera renda.

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