Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

''Cadê o dinheiro?'' ''Tá no tesouro''

Ex-diretor do BC e presidente da Petrobrás trocam ironias sobre capitalização da estatal

Sabrina Valle, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2011 | 00h00

O resultado da megacapitalização da Petrobrás foi motivo de discórdia ontem durante o seminário "Cenários da Economia Brasileira e Mundial em 2011" realizado pela Fundação Getúlio Vargas e o jornal Valor Econômico no Rio. O presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, e o economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman, mostraram visões opostas sobre o lançamento da operação em balanço.

Schwartsman disse haver inconsistência entre a política fiscal do governo e sua estratégia expansionista e citou a operação da Petrobrás, no ano passado, como exemplo de "contabilidade criativa". No cerne da discussão está a forma como foi lançado o direito de a Petrobrás explorar os 5 bilhões de barris de petróleo cedidos pelo governo - estratégia usada para o Tesouro participar do aumento de capital da estatal. 

 

Leia ainda:

linkPetrobrás compra 50% de bloco em Benin

 

Gabrielli relatava os planos de crescimento da companhia quando respondeu ao comentário de Schwartsman.

"Se incluirmos (na discussão) a cessão (onerosa, de 5 bilhões de barris), chamada aqui indiretamente de contabilidade criativa pelo Alexandre Schwartsman...", ao que foi interrompido pelo economista: "Foi diretamente (e não indiretamente)", disse Schwartsman.

"Ah, diretamente", repetiu Gabrielli. "Essa contabilidade criativa é muito simples", disse, explicando que a Petrobrás vendeu R$ 130 bilhões de ações e comprou o direto de produzir 5 bilhões de barris, pelos quais pagou R$ 74 bilhões. O Tesouro, acionista da empresa, comprou R$ 32 bilhões a menos em ações, o que gerou uma diferença em caixa para a empresa.

"Se isso não é caixa, eu não sei o que é caixa", disse Gabrielli, sendo mais uma vez interrompido por Schwartsman: "Caixa é o dinheiro que entra em caixa, não é promessa", disse o economista. "Não é promessa nenhuma, é fato", respondeu Gabrielli.

"Cadê o dinheiro?", retrucou Schwartsman. "Tá no Tesouro", disse Gabrielli. "Ah, é?", perguntou o economista, causando risos na plateia. "Só na cabeça dos contadores do Tesouro", acrescentou. Gabrielli respondeu: "O fato que a Petrobrás pagou R$ 74 bilhões, saiu do caixa da empresa, isso é fato. Entrou na conta da Petrobrás o direito de produzir cinco bilhões de barris. Isso é fato".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.