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Cadê o fundo?

Indústria abala crença na velocidade e no tamanho da recuperação econômica

Cida Damasco, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2016 | 05h00

Tudo parecia caminhar bem para o governo Temer neste início de trimestre marcado pelo primeiro turno das eleições municipais. A vitória ruidosa dos partidos da base parlamentar apontava para um cenário mais favorável no Congresso à pauta econômica do Planalto: votação da PEC do teto de gastos encaminhada, com um alívio às despesas em saúde e educação e algum agrado aos aliados mais renitentes, acertos finais na reforma da Previdência para primeiras discussões com os principais interessados.

A divulgação dos dados da produção industrial de agosto, no entanto, provocou uma certa apreensão. Mais um mês de queda forte na produção – 3,8% sobre o mês anterior, o pior resultado desde janeiro de 2012, 5,2% sobre agosto de 2015 e 8,2% nos oito meses do ano, em comparação com o mesmo período de 2015. Recessão industrial para ninguém pôr defeito, suficiente para abalar a crença no tamanho e na velocidade da recuperação da atividade econômica.

Mais frios nas análises de números por dever de ofício, economistas sustentam que o terceiro trimestre deve ser mesmo o tal fundo do poço que todos veem há algum tempo, inclusive o Fundo Monetário Internacional (FMI) – mas que, por enquanto, não saiu do terreno das expectativas.

Por esse raciocínio, a partir dos últimos meses do ano haverá sinais mais nítidos de uma reanimação da atividade econômica, o que garantiria um desempenho positivo para o PIB em 2017, ainda que modesto. Favorecido pela base de comparação, depois de uma queda pouco superior a 3% neste ano, 2017 traria um crescimento em torno de 1,5% – mais para uma melhora cíclica do que para uma retomada consistente.

O problema é que o clima econômico não vive apenas de avaliações técnicas. Parte da população deixou-se seduzir pela ideia de que a simples mudança de governo teria o poder de desencadear uma onda de otimismo no País, capaz de impulsionar planos de investimento das empresas e, por tabela, melhorar as condições da chamada economia real. O otimismo se confirmou, mas por enquanto se concretizou com mais força no mercado financeiro – até porque o Brasil continua remunerando investidores com juros generosos, na comparação com outros países.

Na vida real, a percepção ainda é dos efeitos nefastos da desarrumação da economia promovida no governo Dilma, como endividamento/quebra de empresas, desemprego recorde, precarização do emprego e queda de renda. Não foi Temer que construiu esse quadro, como ele próprio vem insistindo. Mas a sua persistência certamente não ajudará a reverter a impopularidade do presidente, atestada nas pesquisas de opinião.

O levantamento mais recente do Ibope/Confederação Nacional da Indústria mostra que, para 14% da população, o governo Temer é ótimo ou bom; enquanto para 34%, ele é regular e, para 39%, ruim ou péssimo. Avaliação praticamente igual à verificada ainda na fase de interinidade. Na mesma linha, 68% dos entrevistados disseram que não confiam no governo.

A questão agora, para o governo Temer, é de timing. O momento exige calibragem fina para combinar as mudanças amargas reclamadas pelos chamados agentes econômicos com um repertório de algumas medidas pró-crescimento e pró-área social. Nesse sentido, duas ações são cruciais. A primeira é o empenho para aprovação da PEC do teto de gastos, que deve funcionar principalmente como uma mostra da capacidade do governo de enfrentar essa agenda de “maldades”, mas necessária.

Dez entre dez analistas concordam que, do ponto de vista fiscal, a reforma da Previdência é mais efetiva, mas é muito mais explosiva e exige mais tempo de negociação – e tudo o que o governo Temer não pode é dar a impressão de paralisia. A outra ação é a redução da taxa básica de juros. Recuperação emperrada e inflação em baixa – em São Paulo, houve até a volta da deflação – são a senha para o Banco Central agir nessa direção.

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