Caderneta de poupança capta R$ 3,1 bi em agosto

Saldo entre depósitos e saques é o segundo maior de 2009, atrás apenas de julho, quando chegou a R$ 6,7 bi, segundo dados do Banco Central

Fernando Nakagawa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

Os depósitos nas cadernetas de poupança superaram os saques pelo quarto mês consecutivo em agosto. Dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC)mostram que o mais tradicional e popular investimento financeiro do País atraiu R$ 3,09 bilhões em novas aplicações no mês passado, o segundo melhor resultado do ano, atrás apenas de julho.

As novas aplicações, no entanto, não são resultado de uma eventual migração de recursos de outros tipos de investimento para a poupança porque os fundos de investimento e os Certificados de Depósito Bancário (CDB), eventuais origens em uma troca, também fecharam o mês no azul.

Os dados do BC mostram que, apesar de o resultado do mês passado não ter sido tão exuberante como o de julho (quando foram captados R$ 6,7 bilhões), as cadernetas continuam atraindo volumes expressivos de aplicações.

Na comparação com agosto de 2008 - último mês antes do estouro da crise financeira mundial -, a captação de recursos saltou 66,2%.

No acumulado de janeiro a agosto de 2009, novas aplicações aumentaram o saldo da poupança em R$ 12,21 bilhões. Esse valor é 42,8% maior que o de igual período de 2008.

Analistas relacionam a reação das cadernetas com a retomada da atividade econômica no Brasil. Em meio à volta da criação de empregos e recuperação da renda das famílias, muitos brasileiros têm conseguido terminar o mês com dinheiro na conta corrente.

Essa capacidade de poupar tem sido potencializada. Isso porque, normalmente, a memória recente de turbulências econômicas faz com que os gastos sejam mais comedidos nos períodos imediatamente posteriores às quedas da economia, como o atual.

Números de outras entidades afastam a possibilidade de que a poupança estaria captando recursos provenientes de outras aplicações, em um movimento de migração provocado pela redução do nível do juro básico da economia.

Atualmente, a taxa Selic, principal referência dos fundos de investimento de renda fixa e CDBs, está em 8,75%, a mínima histórica.

Os fundos, por exemplo, terminaram agosto com novos investimentos. Juntas, as carteiras do tipo DI e renda fixa - concorrentes diretas das cadernetas - encerraram com captação positiva de R$ 3,25 bilhões, segundo levantamento mensal da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Nos CDBs, o estoque aumentou R$ 8,84 bilhões, segundo a Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip).

Havia o temor de que, com o atual nível da Selic, houvesse migração maciça de fundos para a poupança, o que motivou uma discussão sobre possível taxação do investimento. As cadernetas, ao contrário dos fundos, não pagam Imposto de Renda nem cobram taxa de administração.

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