Divulgação
Divulgação

Caderneta de poupança perde R$ 23,2 bilhões no 1º trimestre

Só no mês de março, os resgates foram superiores às aplicações em R$ 11,4 bilhões, o pior desempenho mensal em 15 anos

Victor Martins, O Estado de S. Paulo

07 de abril de 2015 | 15h45

Com menos sobras por mês no bolso do brasileiro, devido à inflação elevada e ao menor crescimento da renda, a poupança teve o pior desempenho mensal da história em março. O atual ciclo de alta dos juros básicos e do dólar também tornam outros investimentos mais atrativos que a caderneta. 

O resgate líquido - a diferença entre saques e depósitos - atingiu R$ 11,438 bilhões. O Banco Central começou a compilar os dados atuais em 1995. Até então, o maior resgate líquido mensal da poupança havia sido em fevereiro passado, de R$ 6,236 bilhões.  No primeiro trimestre de 2015, as retiradas já foram superiores às aplicações em R$ 23,23 bilhões.  


O resgate de R$ 11,438 bilhões em março também é maior do que a cifra negativa de um ano todo. Em 1999, por exemplo, o volume de retiradas líquidas no acumulado do ano foi de R$ 8,769 bilhões. Em 2000, o resultado ficou negativo em R$ 7,541 bilhões. 

De acordo com dados do Banco Central, apenas entre 9 e 13 de março, foram resgatados R$ 7,552 bilhões. Com o resultado de março, o saldo total da poupança ficou em R$ 650,290 bilhões, já incluindo os rendimentos do período, no valor de R$ 3,538 bilhões. Os depósitos na caderneta em março somaram R$ 159,660 bilhões, enquanto as retiradas foram de R$ 171,098 bilhões.  

Rumores. Em meados do fevereiro, o Ministério da Fazenda divulgou nota à imprensa informando que não procediam as "informações que estariam circulando pela mídia social de que haveria risco de confisco da poupança ou de outras aplicações financeiras". 

A nota da Pasta dizia ainda que "tais informações são totalmente desprovidas de fundamento, não se conformando com a política econômica de transparência e a valorização do aumento da taxa de poupança de nossa sociedade, promovida pelo governo, através do Ministério da Fazenda". 

Remuneração. A forma de remuneração da aplicação mudou em maio de 2012. Pela nova regra, sempre que a taxa básica de juros, a Selic, for igual ou menor que 8,5% ao ano, o rendimento passa a ser 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR). 

Atualmente, a taxa básica está em 12,75% ao ano. Quando o juro sobe a partir de 8,75% ao ano passa a valer a regra antiga de remuneração fixa de 0,5% ao mês mais a TR.

Mais conteúdo sobre:
poupança

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.