Caderneta de poupança perde R$ 6,6 bilhões em fevereiro

Caderneta de poupança perde R$ 6,6 bilhões em fevereiro

Retiradas da aplicação foram as maiores já registradas para o mês de 1995; mais uma vez, o patrimônio da caderneta recuou

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2016 | 15h38

Após a retirada líquida recorde de R$ 12,031 bilhões da poupança em janeiro, a quantidade de recursos que os investidores sacaram da caderneta em fevereiro, já descontadas as aplicações, ficou em R$ 6,639 bilhões. De qualquer forma, é o pior resultado para o mês da série histórica do Banco Central iniciada em 1995. 

Para meses de fevereiro, a pior marca até agora havia sido registrada no ano passado, quando as retiradas ficaram R$ 6,264 bilhões maiores do que os investimentos. O resultado do mês passado só não foi pior porque no último dia ingressaram R$ 2,507 bilhões na poupança. No primeiro bimestre de 2016, as retiradas da caderneta somaram R$ 18,670 bilhões.

Até então, a conta estava negativa em R$ 9,146 bilhões. Isso ocorre com o sazonal aumento dos depósitos na caderneta no último dia útil por causa de aplicações automáticas da conta corrente que alguns investidores já deixam programadas para ocorrer.

A acentuada deterioração da caderneta se dá depois de uma recuperação em dezembro do ano passado, com a injeção de recursos do pagamento do 13 salário. O saldo positivo de R$ 4,789 bilhões no último mês de 2015 interrompeu uma série de 11 meses de resultados negativos. Ao longo de todo o ano passado, portanto, apenas em dezembro as captações líquidas superaram as retiradas. 

Além da piora do cenário econômico e do aumento do desemprego, o início de todos os anos é marcado pela concentração de pagamento de impostos e de gastos extras com matrícula e material escolar. Acabou a fase de sobra de recursos para aplicar na poupança. Ao contrário, necessidades financeiras fazem brasileiros retirarem dinheiro da aplicação. 

De acordo com o BC, o total de aplicações no mês passado foi de R$ 152,451 bilhões e o de saques, de R$ 159,090 bilhões. O saldo desse investimento está em R$ 646,085 bilhões, já considerando os rendimentos de R$ 4,082 bilhões de fevereiro. Mais uma vez, o patrimônio da caderneta recuou, como aconteceu pela primeira vez em um ano em 2015.

Outro ponto que pesa contra a poupança é que há no mercado investimentos mais rentáveis, atrelados ao dólar e aos juros, por exemplo, e que fizeram a caderneta perder o brilho. A remuneração da poupança é formada por uma taxa fixa de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) - esse cálculo vale para quando a taxa básica de juros (Selic) está acima de 8,5% ao ano e atualmente está em 14,25% ao ano.

Por causa dessa sangria na poupança vista desde o início do ano passado, o setor imobiliário passou a reclamar de falta de recursos para financiamentos de casas e apartamentos. Para minimizar esse quadro, o BC decidiu liberar os bancos em 2015 para usarem R$ 22,5 bilhões dos depósitos da poupança que são obrigados a manter na instituição para desembolsos nas operações de financiamento habitacional e rural. Mais recentemente, esses recursos foram liberados para serem usados também em investimento em infraestrutura.

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