Cadernetas de poupança e poupança nacional bruta

Os depósitos de poupança voltaram a apresentar, em julho, um crescimento extraordinário em termos líquidos. Segundo o Banco Central, houve aumento de R$ 7,8 bilhões na captação dos agentes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), sem contar com a caderneta rural do Banco do Brasil, e de R$ 9,3 bilhões, contando com ela. Não se deve confundir caderneta de poupança, que recebe depósitos feitos por pessoas físicas, com poupança nacional bruta. Esta é a renda disponível no País não gasta em consumo, ou seja, a renda entesourada ou investida.

O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2013 | 02h10

Pelos dados de julho, o total de depósitos nas cadernetas foi de R$ 105,5 bilhões, mas R$ 97,6 bilhões foram sacados ao longo do mês. Ou seja, muitos depositantes usam as contas de poupança como se fossem depósitos em conta corrente.

Mesmo assim, as cadernetas continuam sendo a principal alavanca dos investimentos em moradia. Entre os primeiros semestres de 2012 e 2013, o volume de financiamentos concedidos com base nos recursos da poupança aumentou 34%, atingindo R$ 49,6 bilhões. Esse volume financiou a aquisição ou a construção de 244,7 mil imóveis, 30 mil unidades mais do que no primeiro semestre do ano passado.

Essa relação positiva entre poupança e investimento é vista no "aumento da participação do crédito imobiliário (portanto, destinado ao investimento em moradias) no crédito às pessoas físicas", avalia o economista Marcelo Cirne de Toledo, do Departamento Econômico do Bradesco. A participação do crédito imobiliário no crédito total às pessoas físicas aumentou de 10%, entre 2007 e 2008, a 25%, hoje.

Bem ao contrário do que ocorre com as cadernetas, o comportamento da taxa de poupança nacional é insatisfatório. O Brasil poupa muito pouco. No ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 15,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Medido pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, as famílias pouparam cerca de 25% da sua renda disponível bruta. Já a administração pública teve uma poupança negativa em torno de 12% da renda disponível bruta, calculou Toledo.

Como comparação, a China tem uma taxa de poupança de 49,5% da renda disponível; a Coreia, de 31,4%; a Holanda, de 25,5%; e o Chile, de 21,4%, segundo o FMI. Sem o excesso de gastos públicos em relação às receitas, o Brasil pouparia mais - e poderia investir mais.

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