CAE do Senado aprova Hamilton para diretoria do BC

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou hoje, por 23 votos a favor e um contra, a indicação de Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo para a diretoria de Assuntos Internacionais do Banco Central. O nome do diretor indicado ainda terá de ser aprovado pelo Plenário do Senado. Durante a sabatina na CAE, Hamilton disse que dois pontos podem servir de base para sua participação na diretoria. Um deles refere-se ao tripé formado por metas de inflação, câmbio flutuante e política fiscal sustentável. "A meu ver, avanços são possíveis e, a rigor, são desejáveis. Nesse sentido, procurarei contribuir nas reflexões e análises voltadas ao desenho de ações que visem o aperfeiçoamento e o aprofundamento do mercado de câmbio", disse.

RENATA VERÍSSIMO E CÉLIA FROUFE, Agencia Estado

23 de fevereiro de 2010 | 12h32

Segundo ele, o mesmo compromisso se aplica às iniciativas que eventualmente possam levar a economia brasileira a metas de inflação alinhadas com as melhores práticas de política monetária. O segundo ponto destacado por ele é seu compromisso para garantir as conquistas já realizadas e contribuir para a continuidade do processo de estabilidade macroeconômica. O diretor indicado iniciou seu discurso com o plenário da CAE vazio. Foi preciso que o presidente da Comissão, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), fizesse duas convocações para que os senadores comparecessem ao local.

Inflação

Hamilton fez ainda a defesa do controle da inflação em vários trechos de seu discurso. "A política macroeconômica, em sentido amplo, pode e deve ser conduzida com o objetivo primário de criar condições favoráveis ao crescimento sustentável", disse. Especificamente sobre a política monetária, ele defendeu que sua principal contribuição é manter a inflação continuamente sob controle "em níveis baixos e estáveis". "De fato, a evidência internacional indica que as taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco e das taxas de juros, tanto para o financiamento privado quanto para o público", afirmou.

Araújo acrescentou que taxas de inflação elevadas comprometem o planejamento das famílias e dos investimentos empresariais. "Esses resultados negativos ocorrem porque um pouco mais de inflação, em geral, apenas se transforma em um pouco mais de expectativas de inflação e em um pouco mais de piora nas perspectivas de médio e longo prazo da economia", argumentou.

Para ele, "um pouco mais de inflação" não traz qualquer resultado duradouro em termos de crescimento da economia e do emprego, mas é responsável por prejuízos no médio e longo prazos. O engenheiro, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo, reconheceu, porém, que não existe uma solução definitiva para o problema.

Araújo enfatizou que a economia brasileira tem convivido com níveis baixos de inflação em relação a décadas anteriores. Para ele, uma das principais bases dessa condição foi a implementação do regime de metas de inflação, seguida da decisão de se adotar um regime de câmbio flutuante. "Completa o tripé que tem mantido a inflação sob controle no Brasil, a adoção de uma política fiscal compatível com a sustentabilidade das contas do setor público."

Reservas

Hamilton defendeu ainda a manutenção das reservas cambiais. Segundo ele, a compra dessas reservas mostrou-se um seguro útil e importante durante a recente crise internacional. "Em nenhuma outra oportunidade o Brasil teve uma capacidade de reação tão rápida e eficiente quanto nos finais de 2008 e início de 2009", disse. Ele acrescentou que o benefício de se segurar o País tem sido mais do que compensado por qualquer custo. "Considerando que acumulação de reservas protege o País das consequências sociais, vejo como uma experiência extremamente bem sucedida."

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