Café brasileiro deve voltar a liderar mercado internacional

Depois de amargar uma perda de espaço no cenário internacional no final dos anos 90, o café brasileiro voltará a liderar os negócios dos principais mercados do mundo neste ano. É isso que prevê a Ecom Agroindustrial Corporation, uma das maiores trading de café do mundo. Segundo seus analistas, o produto brasileiro deverá substituir, em 2003, o café mexicano e do Vietnã no principal mercado consumidor - os Estados Unidos."Essa é a tendência que o mercado internacional está esperando, depois de alguns anos em que o produto brasileiro perdeu espaço para concorrentes de outros países", afirmou Ramon Esteve, diretor do escritório da Ecom na Suíça, segunda maior praça de comercialização de café do mundo, atrás apenas de Londres.No mercado europeu, o café brasileiro também deverá ganhar espaço, mas ainda não substituirá as importações de outros países. "A Europa é mais conservadora nesse aspecto e, apesar de crescer, o Brasil ainda não deslocará completamente os outros fornecedores neste ano" afirma Esteve, que controla 8% de todo o comércio mundial do produto e que exporta, por meio de sua subsidiária Esteve SA, 850 mil sacas de café do Brasil todos os anos.Em 2002, o Brasil já voltou a ter um bom resultado nas exportações de café. O ano ficou marcado pelo maior volume de vendas para o exterior jamais realizadas pelo País no setor. Mas apesar de um crescimento de quase 20% em relação à 2001, o café brasileiro ainda foi obrigado a dividir o mercado norte-americano com os produtos do México e do Vietnã.Neste ano, com a manutenção do real desvalorizado, os novos contratos de compra serão preenchidos essencialmente por fornecedores brasileiros. "O único fator que explica o desempenho é o cambio. O mercado está de olho nos preços e isso o Brasil pode oferecer neste ano", afirma o diretor da Ecom, empresa que está no Brasil desde 1935.Mas foi exatamente o preço baixo oferecido pelo Brasil já em 2002 que colaborou para a queda nos valores internacionais do mercado do café. Diante de uma queda de 11% no preco internacional do produto, a receita com o café exportado caiu em mais de 5% entre 2001 e 2002. Mesmo assim, o País se manteve como líder mundial, com 30% do mercado, e arrecadou US$ 1,3 bilhão em exportações.

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