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Café do Centro vê dificuldade para repassar a alta de preço

Queda na produção em países da América Central está impulsionando os preços dos grãos de café de melhor qualidade

Tomas Okuda, da Agência Estado,

24 de fevereiro de 2011 | 12h05

A escalada das cotações do café, em particular dos grãos de melhor qualidade, tipo gourmet, tem permitido a recuperação da renda no campo, mas a indústria enfrenta dificuldade para repassar o aumento. "O momento é difícil e deve se estender por mais tempo, pois a elevação do preço do café é constante e persistente", informa o diretor Rodrigo Branco Peres, do Café do Centro, uma das principais torrefadoras de grãos gourmet do País.

"O cliente até entende a situação do mercado", observa. Branco Peres explica que a Colômbia, importante país produtor, há três safras não consegue atingir seu potencial produtivo por causa da renovação dos cafezais e de problemas climáticos. A América Central também tem apresentado queda na produção em alguns países. No Brasil, o cafeicultor mal remunerado nos últimos anos deixa de investir na lavoura.

No cerrado mineiro, onde se produz um dos melhores grãos do País, a cotação do café subiu cerca de 90% nos últimos 12 meses, de R$ 275 a saca de 60 kg para atuais R$ 520 a saca, conforme dados levantados pelo AE Taxas. Segundo Branco Peres, mesmo com algum repasse, da ordem de 20%, o equilíbrio entre receita e despesa tem sido complicado. "Os grãos finos têm subido mais do que os outros tipos de café, mas jamais abriremos mão da qualidade", ressalta, acrescentando que a matéria-prima corresponde a cerca de 70% a 65% do custo total de produção na indústria. "O problema não é pouca quantidade, mas sim a falta de determinadas qualidades de café", comenta.

As grandes torrefadoras também negociam reajuste com o varejo. Além disso, procuram alterar os blends, utilizando grãos mais baratos. Inevitavelmente a cotação dos cafés mais fracos está reagindo no mercado. Branco Peres salienta que não é possível estimar o nível de preço que o café pode alcançar. "A cotação pode até cair, mas certamente ficará em um novo nível, mais alto", diz.

O segmento gourmet do Café do Centro representou no ano passado cerca de 50% de seu faturamento, estimado em R$ 30 milhões. A torrefadora encerrou 2010 com 3.600 clientes, dos quais 200 novos. Para 2011 a expectativa é crescer 30% em relação ao ano passado.

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