Caged eleva chances de aumento de juro em abril, diz LCA

Criação de emprego em janeiro foi superior ao dado de janeiro de 2008

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

18 de fevereiro de 2010 | 12h45

A criação de 181.419 postos de trabalho em janeiro como apontou o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) aumenta as chances de o Banco Central elevar os juros a partir de abril, comentou o economista-chefe da LCA, Braulio Borges. O dado é superior aos 142,9 mil vagas geradas no mesmo mês de 2008. No primeiro mês de 2009 foram fechadas 101,7 mil vagas em termos líquidos, fato anômalo provocado pela recessão enfrentada pelo País motivada pela crise financeira internacional.

 

"As informações do Caged tem alto nível de aderência em relação à evolução do PIB. No começo deste ano, a demanda de mão de obra manteve o ritmo forte demonstrado no último trimestre de 2009, o que pode indicar um desempenho vigoroso da economia nos últimos quatro meses", comentou.

 

Para Borges, contudo, o Banco Central faz uma avaliação detalhada sobre indicadores econômicos que sinalizam a velocidade de fechamento do hiato do produto para administrar a política monetária. Além da apuração dos dados de inflação corrente e seus respectivos núcleos, que acabam influenciando os juros futuros, o que tem um peso importante nas decisões do Copom, ele destacou que o dado do Caged precisa ser avaliado junto com a oferta de trabalhadores no mercado de trabalho, apontada pela Pesquisa Mensal de Emprego e pelo nível de utilização da capacidade instalada das indústrias, o Nuci.

 

PIB

 

"Além desses dados, o PIB do quarto trimestre que vai ser divulgado em março também é importante, pois aponta o ritmo da expansão do consumo e do investimento, apesar de tais informações apresentarem alguma defasagem considerável de tempo", disse. Ele estima que o País cresceu 2,3% de outubro a dezembro na margem, uma expansão muito intensa, que representa alta de 9,52% do produto interno bruto em termos anualizados.

 

A dinâmica dos números do Caged mostra que os empresários estão confiantes com a perspectiva de expansão da economia no longo prazo e não ficam preocupados com a mudança de governo no dia primeiro de janeiro de 2011. A LCA projeta um avanço do PIB de 6,1% neste ano. Ao tirar fatores sazonais, Borges apontou que a criação de postos de trabalho formais apresentou um bom desempenho nos últimos seis meses. Em agosto foram criados 178 mil vagas, número que atingiu 159 mil postos em setembro e chegou a 184 mil vagas em outubro. No mês de novembro, foram gerados 276 mil postos, marca que alcançou 98 mil em dezembro e subiu para 175 mil em janeiro deste ano.

 

Ao levar em consideração uma média móvel de três meses, Bráulio Borges apontou que os números do Caged apresentam a seguinte ordem: 174 mil no trimestre encerrado em outubro, 206 mil no período terminado em novembro, 186 mil nos três meses finalizados em dezembro e 183 mil no trimestre concluído em janeiro de 2010. "Dados como esses podem levar o Banco Central a gerar dissidência de votos na reunião de março ou carregar bem mais nas tintas na redação da ata do encontro do Copom do próximo mês", comentou o economista.

 

Segundo ele, é pouco provável que o BC aumentará a Selic em março, pois o processo de comunicação da autoridade monetária precisa elevar bem mais o tom da preocupação com a tendência da evolução nos próximos trimestres. A LCA espera que os juros subirão a partir de junho, quando aumentarão 0,50 ponto porcentual, incremento que deve ser repetido nas reuniões de julho, agosto/setembro, outubro e dezembro. Ele espera que os juros fecharão o ano em 11,25%, marca que deve ser mantida até o final de 2011.

 

Para Borges, dois fatores adicionais devem colaborar para que o BC não eleve a Selic no próximo mês. Um deles é a crise fiscal que acomete alguns países da zona do euro, com destaque para a Grécia, o que deve requerer em breve apoio financeiro da União Européia. "Antes de uma solução permanente para a Grécia, haverá muita incerteza de investidores sobre o perigo da Europa ficar com o nível de atividade deprimido novamente, o que pode precipitar mais um crédit crunch regional e afetar bem a recuperação da economia mundial", disse.

 

Outro elemento importante, segundo ele, é a perspectiva de evolução do câmbio no Brasil, pois o cenário de manutenção do fluxo de capitais para o País tende a levar a cotação do real ante o dólar à média de R$ 1,76 no ano e atingir o nível de R$ 1,75 em dezembro. "Como o IPCA deve fechar em 4,5% em 2010, o câmbio deve apresentar uma apreciação real neste ano, o que é um fator que não deve pressionar a inflação para cima", frisou.

Tudo o que sabemos sobre:
Caged, juro, Selic, emprego

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.