Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Brasil gera 136 mil empregos formais em março, mas pedidos de seguro-desemprego sobem

No acumulado dos três primeiros meses de 2022, o saldo do Caged já é positivo em 615.173 vagas; pedidos de seguro-desemprego aumentam em março, maior valor para o mês desde 2017

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2022 | 14h59
Atualizado 28 de abril de 2022 | 19h18

BRASÍLIA - O mercado de trabalho formal desacelerou e registrou um saldo positivo de 136.189 carteiras assinadas em março, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Previdência divulgados nesta quinta-feira, 28. No mês anteiror, foram criados 329.404 vagas com carteira assinada.

Em março de 2021, houve abertura de 153.431 vagas com carteira assinada. O resultado do mês passado decorreu de 1,953 milhão de admissões e 1,817 milhão de demissões. No acumulado dos três primeiros meses de 2022, o saldo do Caged já é positivo em 615.173 vagas.

O mercado financeiro já esperava uma desaceleração no ritmo de abertura de vagas formais em março, mas o resultado veio acima da maioria da pesquisa do Estadão/Broadcast, de 125 mil postos de trabalho. Os pedidos de seguro-desemprego aumentaram no mês passado.  Foram 674.603 pedidos de seguro-desemprego em março, contra 550.265 em fevereiro. Também é o maior valor para o mês desde março de 2017 (702.842). “Foi um número ainda anterior de vários momentos desde a década passada. Se olharmos de 2012 a 2017, o volume de solicitações de seguro-desemprego era superior a março de 2022”, ponderou o secretário-executivo do Ministério do Trabalho, Bruno Dalcolmo, que reconheceu uma “relativa ascensão” nos pedidos, mas classificou o movimento como “normal”.

Dalcolmo lembrou que o Benefício Emergencial de Manutenção e Renda (BEm), que permitiu às empresas cortarem salários e jornada ou suspenderem os contratos durante a pandemia, segurou as demissões nos últimos dois anos. Segundo ele,  é possível que os pedidos de seguro-desemprego aumentem mais nos próximos meses, à medida que acaba a proteção provisória conferida pelo programa, que vigorou até agosto de 2021.

“Foi, portanto, uma política pública bem desenhada, já que objetivou a preservação dos empregos durante a pandemia e, em segundo lugar, a construção de uma ponte de mesmos empregos para momento de economia mais aquecida, para empregadores serem retidos.”

Além disso, o secretário de Trabalho da pasta, Luis Felipe Oliveira, afirmou que o aumento dos pedidos tem correlação com a normalização da atividade econômica ou com aquecimento da economia. Segundo Oliveira, com o maior número de movimentações no mercado de trabalho, há crescimento de pedidos de seguro-desemprego, especialmente quando as relações de emprego não são tão estáveis. “É natural, esse tipo de aumento é muito comum, como já aconteceu em outros anos.”

Setores

A abertura de vagas em março foi novamente puxada pelo desempenho do setor de serviços no mês, com a criação de 111.513 postos formais, seguido pela construção civil, que abriu 25.059 vagas. 

Já a indústria geral criou 15.260 postos com carteira assinada em março, enquanto houve um saldo de 352 contratações no comércio. Por outro lado, na agropecuária foram fechadas 15.995 vagas no mês. O coordenador Geral de Cadastros, Identificação Profissional e Estudos do Ministério do Trabalho e Previdência, Felipe Pateo, atribuiu o corte líquido de vagas na agropecuária (-15.995) a fatores sazonais, como o fim da safra de açúcar no Nordeste, mas também à seca no Sul do País e em São Paulo.

No terceiro mês do ano, 23 das 27 unidades da Federação obtiveram resultado positivo no Caged. O melhor desempenho foi novamente registrado em São Paulo, com a abertura de 34.010 postos de trabalho. Em contrapartida, o maior fechamento líquido de postos de trabalhos formais em março foi registrado em Alagoas, com saldo negativo de 10.029 vagas. Os outros Estados que tiveram cortes de vagas também são da região Nordeste: Pernambuco (-6.091), Sergipe (-2.502) e Rio Grande do Norte (-1.069).

O salário médio de admissão nos empregos com carteira assinada caiu de R$ 1.910,79, em fevereiro, para R$ 1.872,07 em março.

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