Caged surpreende positivamente, mas resultado foi ruim

ANÁLISE: Fernando de Holanda Barbosa Filho

O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2014 | 02h04

Os resultados do Caged surpreenderam o mercado positivamente ontem. A criação de 8,4 mil vagas formais ficou muito acima das expectativas, que eram de destruição elevada de postos formais de trabalho. No entanto, ainda que positivo, foi o pior resultado para o mês de novembro desde 2008, quando o país sofreu com a crise internacional no último trimestre do ano. Desta forma, o resultado, apesar de ter surpreendido positivamente, não foi bom.

A análise setorial mostra forte contratação no setor de comércio (105 mil), que puxou os empregos formais para cima. No entanto, houve forte contração da construção civil (-48,9 mil postos de trabalho) e da indústria (-43,7 mil vagas), reforçando o mau resultado desses setores neste ano em termos de nível de atividade e emprego.

O resultado agregado da economia reflete a desaceleração progressiva do mercado de trabalho. A geração de postos formais de trabalho, que cresceu em ritmo superior a 4% ao ano até meados de 2012, continua seu processo de desaceleração. Nos últimos doze meses, o crescimento da geração de vagas foi de 1,5% ao ano no país. Quando analisamos somente as regiões metropolitanas da PME, o resultado é ainda mais fraco (abaixo de 1% ao ano).

Dessa forma, os dados referentes ao emprego formal na economia brasileira terão o pior ano desde 1999 (404 mil novas vagas), gerando provavelmente menos de 500 mil vagas em 2014. A desaceleração no ritmo de crescimento dos postos de trabalho em diversos setores (na comparação de 12 meses) mostra que o enfraquecimento do mercado de trabalho é generalizado. Além disso, a tendência de redução na expansão das vagas deve continuar no curto e médio prazo devido aos ajustes macroeconômicos esperados para o próximo ano. Com isso, uma recuperação mais forte do mercado de trabalho somente deve ser esperada a partir de 2016.

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