Caged terá corte de 100 mil empregos em maio, dizem fontes

Se confirmadas as projeções, este será o primeiro mês de maio em 12 anos em que o indicador registra saldo negativo; resultado de abril já apontou o fechamento de 97,8 mil vagas

Rachel Gamarski, Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2015 | 19h09

BRASÍLIA - O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referente ao mês de maio deverá apresentar um corte de empregos na casa das 100 mil vagas e próximo ao limite das projeções do Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, que é de 124.448 vagas. Os números deverão ser anunciados em Cuiabá (MT) na próxima sexta-feira (19). Segundo fontes do governo, o resultado "nunca foi tão ruim". Em abril, o indicador apontou o fechamento de 97,8 mil postos de trabalho.

O Ministério do Trabalho continuará evitando projeções para o resultado do ano, como sempre fez, para evitar uma decepção como a que ocorreu em 2014. O ministro da pasta, Manoel Dias, afirmou nesta terça-feira, 16, que o número preocupa. "Preocupar, sempre preocupa (a redução de vagas), mas são dificuldades que temos de superar", ponderou.

Em maio do ano passado, o Caged apresentou um resultado positivo em 58.836 postos de trabalho. No acumulado do ano, o resultado está negativo em 137.004. Pelo menos desde 2003 o Caged de maio não apresenta resultado negativo.

Fontes do ministério do Trabalho afirmam que a pasta ainda trabalha com uma melhora do resultado. "As obras do programa de concessões deverão ajudar na contratação", afirmou. Outro ponto que o ministério cogita para ajudar em uma possível recuperação do resultado é que, com a liberação do orçamento, as obras voltaram a receber demanda e a construção civil deverá voltar a contratar. No último mês, a construção civil fechou 23.048 vagas. Já no resultado acumulado de 2015, os resultados do emprego no setor são ainda piores e ficam 76.165 postos negativos.

A queda do emprego é hoje uma das maiores preocupações do governo por causa dos efeitos recessivos da política de elevação da taxa de juros pelo Banco Central e o ajuste fiscal em curso que está aumentando os custos das empresas.

Na quarta-feira, 17, o ministro do Trabalho, deverá se reunir com a presidente Dilma e apresentar os números para a presidente e falar nas perspectivas para o emprego formal em 2015. Dias deverá aproveitar o encontro para discutir também as demandas da pasta. O encontro está na pré-agenda do ministro e ainda não havia sido confirmado com o Palácio do Planalto. 

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