Cai a demanda interna de bens industriais

Resultado reflete o ambiente morno dos negócios

O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2018 | 05h00

Depois de um forte recuo em maio (-8,2%), em razão da greve dos caminhoneiros, e de um grande salto em junho (10,2%), o Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais teve uma pequena queda de 0,6% em julho, segundo dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O resultado reflete o ambiente morno dos negócios, embora na comparação com julho de 2017 o índice registre alta de 6,6% para a indústria como um todo. No trimestre maio-julho, o avanço foi de 2,9% em confronto com o mesmo período do ano passado.

O indicador – calculado pela produção industrial interna líquida das exportações acrescida das importações – revela um contraste significativo. Enquanto do lado da produção interna líquida de exportações houve retração de 1,9%, as importações de bens industriais avançaram 6,1%.

Como observa o relatório do Ipea, tomando por base a variação acumulada em 12 meses, a demanda segue registrando ritmo de crescimento mais intenso (5,7%) que o apresentado pela produção industrial (3,2%) apurada pela a Pesquisa Industrial Mensal da Produção Física do IBGE.

A pesquisa do Ipea pode ser interpretada como sinal de arrefecimento de iniciativas da indústria com vistas ao mercado internacional, ao mesmo tempo que avança a demanda interna por produtos importados. O relatório ressalta que a demanda de importações de bens de capital teve recuo de 7,6%, mais que o dobro da elevação da demanda de bens de consumo (3,1%).

Na indústria de transformação em geral, verifica-se que a demanda teve alta de 1,3% em julho, em relação a junho, e de 8,9%, diante de idêntico mês do ano passado. Já a indústria extrativa mineral apresentou forte declínio, de 19,8%, sempre em julho em relação a junho. Essa baixa, diz o relatório, pode ser explicada em grande medida pelo aumento da parcela de produção nacional de petróleo destinada ao mercado internacional.

Nota-se também que o desempenho de 15 de um total de 22 setores pesquisados avançou na passagem de junho para julho. Assim, o índice de difusão, que mede a porcentagem dos segmentos da indústria de transformação com aumento em comparação com o período imediatamente anterior, caiu de 86% para 68% de um mês para outro.

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