Cai a participação dos trabalhadores no PIB, cresce a de empresas

A fatia do Produto Interno Bruto (PIB) direcionada ao bolso dos trabalhadores caiu no primeiro ano do governo Lula, enquanto cresceu a parcela das empresas. Segundo dados divulgados hoje pelo IBGE, o arrocho sobre os trabalhadores que começou em 2001 prosseguiu em 2002 e no ano passado. A remuneração dos empregados passou do equivalente a 36,1% do PIB em 2002 para 35,6% em 2003. Já havia sido registrada redução de 2002 (37,9%) para 2001 (37%) e daí para 2002 e 2003. Por outro lado, o lucro (excedente operacional bruto) das empresas cresceu no período, passando do equivalente a 41,9% do PIB em 2002 para 43% em 2003. Segundo o IBGE, a fatia do lucro das empresas no PIB vem crescendo de forma consecutiva desde 1999 e, no ano passado, foi beneficiada pelo câmbio, que reduziu o pagamento de juros das empresas de R$ 70 bilhões em 2002 para R$ 58 bilhões em 2003, já que grande parcela dos empréstimos estavam cotados em dólar. Números do IBGE O IBGE informou hoje que as revisões do cálculo do PIB mostram que o primeiro ano do governo Lula teve crescimento de 0,5% e não contração de 0,2%, como havia sido divulgado anteriormente. Segundo o gerente de contas trimestrais do IBGE, Roberto Olinto, o principal impacto para a mudança foi a redução da queda da construção civil, de uma variação de -8,6% para -5,2% em 2003. Os novos cálculos levam em conta a nova série da pesquisa industrial mensal do IBGE. O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, comemorou o crescimento do PIB em 2003"Esse é um dado importante porque o País saiu de uma crise cambial em 2002, mas já começou a crescer no primeiro ano após essa crise", disse Meirelles, lembrando que outras economias que viveram situações semelhantes a do Brasil em 2002 tiveram no ano seguinte uma queda de PIB. Leia mais sobre o PIB: Lula está eufórico com resultado do PIB, diz ministro IBGE revê recessão do primeiro ano do governo Lula Palocci diz que crescimento veio sem "mágica ou medida exótica" País cresceu mesmo após a crise de 2002, destaca Meirelles PIB norte-americano cresce acima do esperado PIB cresce 6,1% no terceiro trimestre; maior alta em 8 anos

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