Cai a pressão sobre o preço do petróleo, diz AIE

A Agência Internacional de Energia (AIE) disse hoje, em seu relatório mensal, que os fatores geopolíticos que representavam um risco direto para o abastecimento de petróleo passaram a ter um impacto menor sobre o mercado, que parece ter se concentrado na situação imediata, que é de equilíbrio. Com isso, a pressão altista sobre os preços do petróleo registrada desde fevereiro diminuiu nas últimas semanas.Os preços do petróleo aumentaram na primeira quinzena de maio, aproximando-se dos US$ 28 por barril Brent, mas em seguida registraram uma forte queda, se estabilizando em torno de US$ 23,50. Segundo a entidade, houve uma diminuição dos movimentos especulativos e os agentes de mercado parecem ter se dado conta de que é praticamente impossível se proteger contra os atuais riscos de uma forte e abrupta queda de abastecimento."Quem pode, com precisão, prever as exportações iraquianas, a produção russa, o cumprimento das metas de produção da Opep, sem mencionar o ritmo da recuperação econômica global e o crescimento da demanda?", indagou a AIE. A Agência alertou, no entanto, que os preços do petróleo poderão voltar a subir nos próximos meses, pois "a perspectiva para o abastecimento e a demanda de petróleo ainda indicam que haverá um situação de aperto no segundo semestre".Além disso, os riscos poderão emergir novamente a qualquer momento, elevando os preços da commodity. Entre os principais riscos potenciais, além do conflito no Oriente Médio e a instabilidade na Venezuela, a AIE cita a tensão entre a Índia e o Paquistão na Caxemira e a permanente volatilidade em torno do Iraque.A produção mundial de petróleo em maio cresceu em 870 mil barris por dia, totalizando uma média diária de 75,6 milhões de barris. A produção do Iraque cresceu em 520 mil barris por dia. A produção dos países membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) cresceu em 290 mil barris diários, totalizando 23,1 milhões de barris diários, 1,4 milhões de barris acima de sua meta de produção. A Venezuela foi a principal responsável pelo crescimento da produção da Opep, com uma aumento de 180 mil barris diários.A AIE acredita que a demanda mundial pode estar começando a aquecer, mas manteve a sua previsão de aumento da média diária de consumo para 2002 em 420 mil barris. Os estoques de petróleo entre os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) cresceram em 9 milhões de barris em abril. No próximo dia 26, os países membros da Opep se reunião em Viena para analisar qual a estratégia de abastecimento a ser adotada.

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