Cai a procura por recursos do BNDES

Desde agosto, diminuiu a demanda por crédito para a compra de máquinas e equipamentos, em um sinal de queda nos investimentos

ALEXANDRE RODRIGUES / RIO, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h08

A desaceleração da economia que torpedeou os investimentos no segundo semestre refletiu-se nos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a aquisição de máquinas e equipamentos. O banco deve fechar o ano com variação em torno de zero nas liberações para bens de capital em relação a 2010, quando as linhas Finame e do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) desembolsaram R$ 51,9 bilhões.

Em entrevista ao Estado, o superintendente da Área de Operações Indiretas do BNDES, Claudio Bernardo de Moraes, disse que a estimativa do banco é fechar o ano com desembolso entre R$ 51 bilhões e R$ 52 bilhões nas linhas de bens de capital, que são um termômetro de curto prazo dos investimentos no País, sobretudo da indústria.

No início do ano, mesmo com a política de moderação do desembolso total do BNDES após o recorde de R$ 168 bilhões do ano passado, a expectativa era de crescimento entre 3% e 4% nas liberações da Finame e PSI.

"Nos últimos meses, a partir de agosto, a demanda por crédito na Finame e no PSI vem caindo bastante em relação ao ano passado. Novembro e dezembro, que são tradicionalmente de maior demanda, não serão iguais a 2010", afirmou Moraes.

No mês passado, os desembolsos da Finame e do PSI somaram R$ 4,2 bilhões, uma queda de quase 10% em relação a novembro de 2010. Em dezembro, o BNDES também espera R$ 4,2 bilhões, cerca de 18% abaixo dos R$ 5,1 bilhões liberados no último mês de 2010. A diferença quase chega a R$ 1 bilhão.

Moraes lembra que o ambiente econômico era diferente em dezembro do ano passado, quando a economia cresceu 7,5% e houve uma corrida dos tomadores para aproveitar os juros subsidiados do PSI, cujas taxas foram reajustadas este ano.

Agora, a desaceleração da economia foi agravada pela crise internacional. "Esse movimento se refletiu na Finame e no PSI no segundo semestre." Prorrogado até 2012 dentro do Plano Brasil Maior, a terceira fase do PSI tem um orçamento de R$ 75 bilhões. O BNDES deve fechar o ano com o desembolso de menos da metade desse total: R$ 32,5 bilhões.

Com isso, o banco tem caixa suficiente para manter o crédito subsidiado em 2012 sem a necessidade de novos empréstimos do Tesouro para esse fim.

Incentivos. Moraes não fala sobre o assunto, mas esse cenário pode mudar se o governo resolver retomar incentivos ao investimento com crédito barato do BNDES. O PSI é visto no banco como um fator que influenciou a decisão de investimento na recuperação da crise em 2008, mas o governo reluta em retomar o crédito subsidiado para não aumentar o custo fiscal do programa.

A participação das linhas do PSI no total de desembolsos do BNDES para ônibus e caminhões caiu de 95% em 2010 para 45% em 2011, já que a elevação das taxas subsidiadas para 10% voltaram a tornar atrativas as linhas da Finame, que não têm subsídio do Tesouro, gerando uma migração que manteve alto o nível total de financiamento. Em 2010, o Tesouro teve de equalizar operações que somaram R$ 27 bilhões nesse segmento. Este ano deve fechar em R$ 12,5 bilhões.

O subsídio seguiu mais forte no crédito para outros bens de capital, com 90% de participação do PSI, principalmente para micro, médias e pequenas empresas, que terão participação recorde no desembolso total do BNDES este ano. Nesse segmento, os juros foram mantidos em 6,5% ao ano.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, conversa com o governo e representantes da indústria sobre possíveis medidas que retomem algumas vantagens perdidas do PSI, mas a determinação agora é esperar o efeito que o estímulo ao consumo poderá provocar no investimento industrial.

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