Cai investimento estrangeiro

Em janeiro, investimento foi de US$ 1,9 bilhão, abaixo da média mensal de US$ 3,7 bilhões

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2009 | 00h00

Em meio ao agravamento da crise internacional, o fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) para o Brasil teve uma queda significativa em janeiro, totalizando US$ 1,93 bilhão. O valor foi quase a metade da média mensal de US$ 3,76 bilhões de investimentos direcionados para o setor produtivo em todo o ano passado. Em fevereiro, o Banco Central registrou ingressos de US$ 1,5 bilhão até ontem e espera fechar o mês com o IED somando US$ 1,8 bilhão, ou seja, também abaixo da média de 2008.Mas a crise também provocou ajustes que podem ser considerados positivos porque diminuem a necessidade de dólares do País, como a forte redução nas remessas de lucros e dividendos ao exterior, que somaram US$ 698 milhões, o nível mais baixo em quatro anos. Este resultado contribuiu decisivamente para que o déficit na conta corrente brasileira (que registra as operações de comércio e serviços do Brasil com o exterior) caísse fortemente em janeiro e ficasse em US$ 2,7 bilhões, ante US$ 4 bilhões em janeiro de 2008 e US$ 2,9 bilhões em dezembro passado. Em fevereiro, o movimento de remessas continua fraco. Até ontem, haviam saído do Brasil US$ 665 milhões por essa conta. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, afirmou que o déficit em conta corrente em fevereiro deve fechar em US$ 1 bilhão, dando sequência à redução verificada em janeiro. Ele destacou que as contas externas brasileiras hoje ajustam-se muito mais rapidamente às mudanças na conjuntura internacional e de uma maneira "menos dolorida". Altamir explicou que, ao contrário do que ocorria no passado, quando em crises externas o Brasil tinha sérios problemas de financiamento em dólar, hoje a crise reduz a necessidade de financiamento porque diminui as remessas de lucros e dividendos e as despesas com serviços, como por exemplo viagens. Além disso, hoje o País não sofre com a elevação das despesas com juros, já que o governo tem um volume elevado de reservas e é credor em dólar. "O balanço de pagamentos brasileiro tem capacidade de ajuste muito mais forte e é isso que vamos observar ao longo deste ano", disse Altamir. REMESSA DE LUCROSA menor remessa de lucros não surpreendeu o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luiz Afonso Lima. Para ele, a desaceleração era esperada porque há menor atividade econômica - o que reduz o lucro - e, ao mesmo tempo, o real desvalorizado não favorece a transferência ao exterior. "Não espero grande recuperação até o fim do ano porque a economia tende a seguir menos aquecida." Em relação ao fluxo de investimento direto, Lima atribui o movimento de queda à dificuldade financeira das multinacionais, que diminui o apetite e a própria capacidade de investimento das companhias."Aparentemente, o problema de caixa nas empresas está sendo maior que o esperado", afirmou. Entre os setores mais prejudicados, destacou, bancos e montadoras lideram. Apesar desse diagnóstico, Afonso Lima aposta em melhora nos próximos meses. Para ele, a demanda interna vai respaldar o ingresso de volumes maiores de recursos ainda em 2009. Altamir Lopes, do BC, afirmou que apesar da queda e de ter ficado abaixo do esperado pela autoridade monetária, o fluxo de IED está em um nível "positivo", especialmente por ser um período de crise.

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