Rodolfo Buhrer|Estadão
Rodolfo Buhrer|Estadão

Cai número de empresas que pretendem investir em 2016, diz CNI

74% das empresas investiram em 2015, o menor porcentual da série histórica; para 2016, intenção de investimento cai para 64%

Lorenna Rodrigues , O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2016 | 13h18

BRASÍLIA - O cenário de atividade econômica em queda e aperto financeiro impactou os investimentos da indústria brasileira. Pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 18, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, em 2015, 74% das empresas investiram, o menor porcentual desde 2010, quando tem início a série histórica. Em 2014, 81% das indústrias pesquisadas registraram investimentos. 

Para 2016, o número de industriais que pretendem investir é ainda menor: 64%, também a menor intenção de investimentos da série. No início do ano, 76% dos entrevistados indicaram intenção de investir no ano seguinte - o número de quem efetivamente investiu acabou ficando 2 pontos porcentuais abaixo desse patamar. No ano passado, porém, 58% das empresas não cumpriram os planos de investimento conforme planejado. "A principal razão apontada para a frustração dos planos de investimento foi a incerteza econômica", aponta a entidade. Dos entrevistados, 92% indicaram a incerteza econômica, 65% assinalaram a demanda e 41% destacaram ainda o custo do crédito entre as razões para o baixo investimento. 

A CNI aponta ainda a falta de crédito e a redução dos financiamentos de bancos públicos entre os motivos para a queda no investimento industrial. Segundo o gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da entidade, Renato da Fonseca, a escassez de crédito levou a um aumento na utilização de recursos próprios pelas empresas que investiram em 2015, que passou de 61% no ano anterior para 72%. 

"Numa situação de empresas que já estão debilitadas pela queda da demanda e ficam dependentes apenas de seus próprios recursos, mesmo quem deseja não consegue fazer investimentos", afirma. 

A maioria (67%) das empresas destinou os aportes à continuação de projetos em andamento. Do total que investiu, 86% adquiriram máquinas e equipamentos. Os aportes foram principalmente para reduzir custos e aumentar competitividade (45%). 

Para 2016, 67% das empresas pretendem investir na continuação de projetos em andamento. Das empresas que planejam investir, 92% pretendem adquirir máquinas e equipamentos, o menor porcentual desde 2010. Dessas, 42% planejam comprar menos máquinas e equipamentos do que em 2015.

Com a demanda doméstica em baixa, cresceu a orientação do investimento para atender o mercado externo. Das empresas que pretendem investir, 62% tem o foco no mercado doméstico, ante 68% no ano passado. Passou de 25% para 31% o porcentual com investimentos orientados igualmente para o mercado doméstico e externo e a fatia de empresas com foco apenas no mercado externo se manteve em 7%. 

Há expectativa de grande ociosidade neste ano - 90% dos entrevistados acreditam que a capacidade instalada atual está adequada para atender a demanda prevista. 

A pesquisa da CNI foi feita com indústrias de grande porte (com mais de 250 empregados), que, de acordo com a entidade, são as responsáveis pela maior parte do investimento nacional.

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