Cai o número de compras pelo crediário

A procura pelo crediário caiu no mês de agosto em relação a julho e cresceu num ritmo bem menor do que o esperado pelo comércio na comparação com agosto do ano passado, conforme dados divulgados ontem pela Associação Comercial de São Paulo. A média diária das consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) em agosto caiu 1,8% em relação a julho. Na comparação com agosto do ano passado, o resultado foi 3,2% superior, mas na comparação de julho deste ano com julho de 99, o crescimento era de 10,4%.A desaceleração do movimento de compras a prazo é explicada pelo impacto do reajuste das tarifas e dos preços agrícolas teve reflexo no bolso do consumidor. "Esperamos que, com o fim do feito das geadas sobre os preços agrícolas, a taxa de inflação recue e o Banco Central dê continuidade à redução das taxas de juros, o que vai beneficiar o crediário", diz o presidente da Associação Comercial, Alencar Burti.Os indicadores de venda à vista ou com cheques pré-datados tiveram resultado bem melhor. A média diária de consultas ao Telecheque manteve o ritmo do mês anterior e cresceu 11,1% em relação a agosto do ano passado e 1% em relação a julho. Na comparação com o mês anterior, o crescimento foi abaixo do esperado, porque agosto teve o Dia dos Pais, segundo o diretor do Departamento de Economia da Associação Comercial, Marcel Solimeo.A desaceleração do ritmo de crescimento do SCPC e o desempenho do Telecheque, abaixo do esperado numa data de vendas maior para o comércio, como o Dia dos Pais, indica, segundo Solimeo, que o consumidor perdeu renda com os aumentos do custo de vida e está mais cauteloso. Neste cenário ele acredita que o ano deve fechar com de crescimento médio de vendas no comércio de no máximo 7% e não mais 10%, como projetava anteriormente. Inadimplência volta a subirA inadimplência voltou a subir em números absolutos no mês de agosto na capital. Mas a inadimplência líquida (quando se divide o número de novos devedores pelo número daqueles que acertaram suas dívidas) se mantém estável em 5,8%.Em valores absolutos, o número de registros recebidos passou de 359.318 em julho para 408.508 registros em agosto, variação de 13,7%. O resultado de agosto é ainda 57,1% superior ao ano passado. Mas os registros cancelados (consumidores que acertaram seus débitos) também subiram em agosto 55,7% em relação a agosto do ano passado e 12,8% ante julho.Pedidos de concordata aumentaram em agostoOs pedidos de concordata também aumentaram no mês passado e alcançaram o maior resultado do ano. Foram registrados 12 requerimentos ante cinco em agosto do ano passado e quatro em julho. "Não há por enquanto uma justificativa tão forte no cenário econômico para este aumento", diz Solimeo. "Mas vamos observar mais agora o comportamento das empresas e estes números."Já as falências requeridas registram queda de 19,7% em relação a agosto do ano passado e pequeno aumento na comparação com julho. Foram 517 pedidos em agosto ante 644 em agosto de 99 e 494 em julho. Os títulos protestados caíram 21,2% na comparação com o mesmo período no ano anterior e 23,5% em relação a julho.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.