Cai participação de São Paulo no PIB

Com a perda de espaço da indústria na economia, fatia do Estado na riqueza nacional passou de 33,5% em 2009 para 33,1% em 2010

DANIELA AMORIM / RIO , O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h08

São Paulo perdeu peso no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2010, ano de recuperação econômica no País após a crise financeira internacional. A participação do Estado na geração de riqueza nacional passou de 33,5% em 2009 para 33,1% em 2010, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O PIB do Estado de São Paulo somou R$ 1,25 trilhão em 2010 em valores nominais. A perda de participação ocorreu por causa da evolução dos preços. Em 2010, os preços aumentaram 8,2% na economia brasileira e cresceram 6,6% em São Paulo.

Vagner Bessa, gerente de Indicadores Econômicos da Fundação Sistema Estadual Análise de Dados (Seade), diz que houve um avanço da participação de outros Estados no PIB, especialmente daqueles que têm a economia ligada às commodities, que tiveram forte valorização de preços no período. Já São Paulo tem sua base econômica nos produtos industrializados, cujos preços caíram.

Os dados do IBGE mostram também que houve um crescimento de 7,9% na economia paulista no ano. No mesmo período, o PIB nacional teve expansão de 7,5%.

Bessa atribui esse forte desempenho da economia paulista à retomada da indústria em 2010. Depois da crise de 2009, a indústria de bens duráveis foi especialmente estimulada pelos benefícios tributários, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). E o Estado de São Paulo concentra 42% da indústria de transformação do País. "Qualquer coisa que se faça para a indústria de transformação impacta São Paulo", afirma Bessa.

Desconcentração. Embora São Paulo tenha crescido acima da média do País, outros Estados tiveram avanço ainda maior e garantiram ganho de participação na geração de riqueza.

"Houve uma desconcentração industrial. Algumas indústrias receberam incentivos para se instalar em outras regiões. São Paulo ainda concentra a indústria pesada, mas alguns setores têm recebido incentivos. Goiás, por exemplo, já tem 10% do valor adicionado da indústria automobilística. Tem também Bahia, Paraná", diz Frederico Cunha, gerente da Coordenação de Contas Nacionais Anuais do IBGE.

No Sudeste, o Rio de Janeiro também teve recuo na participação no PIB brasileiro no período: de 10,9% em 2009 para 10,8% em 2010. O Estado cresceu apenas 4,5% no ano.

Segundo o IBGE, o Rio reduziu sua participação no PIB por causa das oscilações no preço do petróleo após a crise mundial, mas também houve influência do grande peso da administração pública na região.

"Nos Estados em que a administração pública é muito pesada, ela tende a amortecer o resultado quando o PIB cai ou quando cresce. Esses serviços e produtos da administração pública só crescem junto com a população", diz Cunha.

No Espírito Santo e em Minas Gerais, houve ganho de participação no PIB graças ao aumento do preço do minério, que tem grande importância sobre as economias dessas regiões.

Entretanto, em 2010, o destaque foi a Região Norte, com crescimento de 9,9%. A participação no PIB aumentou de 5% para 5,3%. Segundo o IBGE, embora a riqueza ainda seja muito concentrada, os programas de transferência de renda adotados pelo governo têm ajudado a desenvolver as demais regiões do País.

"A riqueza no Brasil ainda é muito concentrada, mas a gente já percebe algum nível de desconcentração. Se você tem programa de transferência de renda, de proteção social, em que a massa salarial amplia, você também leva a economia para esses lugares. Então, a desconcentração se dá até porque esses Estados estão crescendo", diz Cunha.

No Norte, o Pará foi beneficiado também pelo aumento do preço do minério de ferro. No Amazonas, houve recuperação da indústria de transformação, enquanto Rondônia registrou ganho de participação na atividade agropecuária.

Apesar da pequena evolução na distribuição da riqueza, oito unidades da Federação concentraram 77,8% do PIB em 2010, entre elas estão São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia. / COLABOROU MÁRCIA DE CHIARA

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