Cai participação do setor público na construção

A participação do setor público no setor de construção no País caiu novamente em 2003, confirmando a tendência que vinha sendo registrada nos últimos anos. Segundo divulgou hoje o IBGE, a participação do setor público no total das construções caiu de 48,5% em 2002 para 41,6% em 2003, ano a que se refere a Pesquisa Anual da Indústria da Construção. Por outro lado, o setor privado elevou a participação de 51,5% para 58,4% no período. No caso específico das obras de infra-estrutura, a fatia do setor público no total das construções foi reduzida de 70,6% para 62% de um ano para o outro, enquanto a do setor privado subiu de 29,4% para 38%. Os técnicos do IBGE observam, no documento da pesquisa, que está claro, sobretudo, que o setor público registrou diminuição de participação nos produtos que compõem o grupo das obras viárias, caindo de 83,7% em 2002 para 77,6% em 2003. A avaliação é que os números mostram "um aumento da importância do investimento privado nesta área, fruto não só da redução dos gastos públicos para o cumprimento do superávit fiscal de 2003, mas também da crescente participação da iniciativa privada na construção e manutenção das rodovias". O investimento público também perdeu espaço para o setor privado nos subsetores de obras de infra-estrutura para energia elétrica e telecomunicações, passando de 48,9% para 41,2%.Setor é "bastante dependente" do mercado internoA pesquisa concluiu que, em 2003, o setor empresarial de construção permanecia "bastante dependente" do mercado interno e dos gastos públicos, especialmente no que diz respeito às atividades de edificações e infra-estrutura. A conclusão ocorre apesar de os dados mostrarem que a receita de obras ou serviços da construção no exterior praticamente dobrou no período de 2002 a 2003 (atingindo R$ 2 bilhões), mas sem ultrapassar 2,6% de toda a receita líquida do setor. Os técnicos do IBGE avaliam no documento de divulgação que "o ambiente macroeconômico de 2003 resultou no encarecimento do crédito, o que pressionou negativamente o nível de atividade, com declínio do consumo doméstico e do rendimento médio". Esse cenário de retração do mercado interno, segundo eles, levou a queda nos investimentos em infra-estrutura e na demanda por edificações. O emprego na construção civil, segundo as Contas Nacionais do IBGE, caiu 7,2% de 2002 para 2003. Ainda segundo as Contas Nacionais, o Produto Interno Bruto (PIB) da atividade de construção caiu 5,2% neste período. A Pesquisa Anual da Indústria da Construção do IBGE mostrou uma queda nominal de 4% no total de obras e serviços do setor em 2003 ante 2002. A redução ocorreu por causa dos fracos desempenhos da atividade de infra-estrutura (-13,7%), especialmente nos sub-setores de obras viárias (-23,4%) e rede de distribuição de água e esgoto (-22,9%). A pesquisa registrou em 2003 cerca de 19 mil empresas de construção no País que empregaram 1,4 milhão de pessoas com uma média salarial de quatro salários mínimos mensais.

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