Cai projeção do mercado para superávit primário

Corte de R$ 10 bilhões do Orçamento não impede ceticismo em relação ao resultado das contas públicas; pesquisa do BC aponta recuo de 1,8% para 1,7%

Eduardo Cucolo / Brasília, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2013 | 02h03

O mercado financeiro continua cético em relação à afirmação do governo de que o corte adicional de R$ 10 bilhões do Orçamento vai melhorar o resultado das contas públicas. Pesquisa semanal do Banco Central com cerca de 100 instituições mostra que a mediana das projeções para o superávit primário do setor público em 2013 recuou de 1,8% para 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) na semana passada.

A revisão do dado para baixo se deu exatamente no mesmo dia em que o governo divulgou a reprogramação orçamentária para o ano. Para 2014, a projeção recuou de 1,54% para 1,5% do PIB. A meta do governo é fazer uma economia de 2,3% do PIB para pagar os juros da dívida.

No dia da divulgação do corte, o mercado financeiro já avaliava que a restrição não seria suficiente para que a meta fosse alcançada.

Cálculos de consultorias apontavam que o contingenciamento necessário seria entre R$ 20 bilhões e R$ 40 bilhões. Além disso, cerca de metade do valor anunciado se refere apenas ao adiamento de despesas.

Na sexta-feira, ao anunciar o superávit do governo central no primeiro semestre, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirmou que será possível cumprir a meta, mesmo com gastos extras para bancar a redução da conta de luz.

Deterioração. Hoje, o Banco Central divulga os números das contas de todo o setor público em junho, incluindo Estados e municípios, que devem voltar a mostrar um resultado pior em relação ao mês anterior, segundo estimativas coletadas pelo serviço AE Projeções, da Agência Estado.

A maior expectativa entre 21 instituições é de uma economia de R$ 4,7 bilhões, abaixo dos R$ 5,7 bilhões de maio. A Quest Investimentos, por exemplo, estima que, nos 12 meses até junho, o superávit primário fique próximo de 2% do PIB. Até maio, estava em 1,95%.

"Os resultados fiscais são negativos e confirmam que o governo não deve cumprir as metas fixadas na LDO (3,1% do PIB), tampouco a meta anunciada pelo governo (2,3% do PIB) ao considerar os abatimentos de R$ 45 bilhões, do total de R$ 65,2 bilhões autorizados", segundo o economista da consultoria Tendências Felipe Salto.

Inflação. Na pesquisa Focus divulgada ontem, a projeção de inflação medida pelo IPCA para 2013 foi mantida em 5,75%. Para 2014, passou de 5,87% para 5,88%. A previsão de crescimento da economia brasileira foi mantida em 2,28% para 2013 e 2,6% para o próximo ano.

A previsão para a taxa básica de juros, a Selic, no fim de 2013 continua em 9,25% ao ano. Para o fim de 2014, a mediana das projeções caiu de 9,38% para 9,25% ao ano. A taxa está em 8,5% ao ano e foi mantida a expectativa de que suba para 9% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 27 e 28 de agosto.

A mediana das projeções para a taxa de câmbio no fim de 2013 subiu de R$ 2,24 para R$ 2,25. Para o fim de 2014, continua em R$ 2,30.

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