Cai ritmo de compra de títulos dos EUA por estrangeiros

A China continuou vendendo títulos do governo norte-americano em dezembro e caiu para o segundo posto entre os principais detentores estrangeiros, o que ampliou as preocupações sobre uma mudança permanente na estratégia de alocação de recursos do país asiático para outros ativos que não sejam denominados em dólar. Mesmo com esse desdobramento, os estrangeiros ainda compraram mais do que venderam ativos de longo prazo dos EUA em dezembro, mas o volume de compras diminuiu.

CLARISSA MANGUEIRA, Agencia Estado

16 de fevereiro de 2010 | 20h02

De acordo com o relatório mensal sobre fluxo de capital internacional do Tesouro norte-americano, o Japão tinha US$ 769 bilhões em títulos do Tesouro norte-americano em dezembro, comparado com os US$ 755 bilhões que a China possuía. Em novembro, a China contabilizava US$ 789,6 bilhões em Treasuries.

Enquanto parte da posição da China em ativos do Tesouro migrou para bônus de longo prazo, o peso menor de títulos norte-americanos na carteira chinesa sugere que Pequim está executando os seus planos de diversificar suas aplicações para outros ativos não ligados ao dólar. Estima-se que cerca de 70% dos US$ 2 trilhões ou mais das reservas chinesas estejam aplicados em ativos norte-americanos, mas Pequim tem se mostrado cada vez mais preocupado sobre a crescente carga do endividamento dos EUA.

O governo chinês tem expressado preocupação sobre as políticas monetária e fiscal adotadas pelo governo dos EUA, que resultaram em taxas de juros baixas e no aumento da dívida a fim de tirar a economia da recessão. A China teme que a política de facilitação de crédito possa acelerar a inflação, o que reduziria valor de seus investimentos denominados em dólar.

Considerando o movimento total, as compras líquidas estrangeiras de títulos americanos totalizaram US$ 50,9 bilhões em dezembro, afirmou o Tesouro dos EUA. Em novembro, a compras totalizaram US$ 114,1 bilhões. Embora os estrangeiros ainda tenham comprado dívida de longo prazo, eles venderam bills. A venda de bills totalizou um volume recorde de US$ 53 bilhões.

O relatório mensal destaca as aquisições transfronteiriças de ativos com vencimento de mais de um ano, incluindo transações de balcão, como swaps de ações e pagamento do principal sobre títulos lastreados em ativos. O atentamente acompanhado dado que exclui as transações que não ocorrem num mercado aberto registrou compra líquida de US$ 63,3 bilhões em ativos de longo prazo dos EUA, após compras de US$ 126,4 bilhões em novembro. As informações são da Dow Jones.

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