Caipirinha sela aproximação entre Brasil e França

Em jantar na noite desta quita no Itamaraty, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um brinde com caipirinha ao presidente da França, Jacques Chirac. Horas antes, numa conversa informal com jornalistas franceses, Chirac contara ter experimentado e aprovado a bebida brasileira. Lula e a primeira-dama, Marisa Letícia, chegaram às 20h15 ao Itamaraty. O presidente francês chegou pontualmente às 20h30, acompanhado de sua comitiva, composta de cinco ministros e 20 empresários. Depois de posarem para fotógrafos, os dois presidentes se dirigiram à Sala Brasília, onde foi servido o jantar.Participaram da recepção os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), além de ministros, empresários, diplomatas e jornalistas.Chirac assistiu a um desfile completo do Batalhão da Guarda Presidencial e a um espetáculo da Esquadrilha da Fumaça. Ainda apreciou o jardim do Alvorada adornado com uma réplica do 14 Bis, o avião que Santos Dumont testou em Paris em 1906. A visita de Chirac marcou a primeira vez que o Alvorada foi o palco da recepção oficial de um presidente, em visita de Estado ao Brasil.Subsídios agrícolasO presidente Lula disse que o acordo sobre a redução de subsídios agrícolas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) só será possível se os países europeus e os Estados Unidos cederam mais em relação a isso. "Todo mundo acha que já fez o que podia fazer. Todo mundo acha que já concedeu o que poderia conceder, mas o dado concreto é que até agora não teve acordo, porque nem as próprias partes acreditam que já fizeram o que tinha de fazer", disse, após o encontro com o presidente da França, Jacques Chirac, no Palácio da Alvorada. "Os americanos têm de fazer as concessões porque os subsídios nos Estados Unidos são muito altos e criam um desbalanço no comércio agrícola do mundo. A Europa pode fazer mais concessões de acesso ao mercado", ponderou Lula.Jacques Chirac, por sua vez, afirmou que a Europa já cedeu o suficiente, reduzindo em 45% os subsídios, e que é hora dos Estados Unidos fazerem concessões. Segundo ele, os norte-americanos não modificaram nenhum ponto de sua política agrícola e detêm "a chave do problema". "É errado dizer que a Europa é um mercado fechado, é largamente aberto", destacou Chirac.O presidente brasileiro lembrou que tanto o Brasil como o G-20 também estão dispostos a realizar concessões possíveis, já que as nações ricas reclamam que os países emergentes precisam abrir seus mercados industriais. Criado em agosto de 2003, o G-20 reúne 21 países em desenvolvimento para tratar de questões relativas à agricultura.BolíviaO presidente da França elogiou a nacionalização das reservas bolivianas de gás natural. Para ele, a decisão de Evo Morales "devolveu a honra a um país sofrido". Chirac mostrou-se confiante no encontro de uma solução para a crise entre Brasil e Bolívia. Já o presidente Lula disse que pretende resolver o problema com o país vizinho por meio da conversa.De acordo com Lula, a nacionalização das reservas de gás não é culpa de Morales. "O problema não foi o Evo Morales. O problema foi que o Sánchez de Lozada [ex-presidente da Bolívia] caiu. Um dos motivos por que ele caiu foi o movimento pela nacionalização do gás da Bolívia", afirmou.Questionado sobre ações nacionalistas por parte de governos sul-americanos, Lula respondeu que a região vive um "rico" e intenso momento político. "O Brasil continua acreditando que a integração da América do Sul é uma necessidade. A construção da democracia e da paz é a única possibilidade que nós temos de nos transformarmos em nações ricas".

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