Caixa acena com consórcio imobiliário

Em vez de financiamento habitacional, suspenso para a classe média desde o início do mês, um consórcio para a compra de imóvel. É a opção com que acena a Caixa Econômica Federal, que pretende formar, até o fim do ano, os primeiros grupos para a compra de imóveis novos, usados, terreno e material de construção. A decisão de criar um consórcio imobiliário, tudo indica para quem ganha acima de 20 salários mínimos (R$ 3,6 mil) por mês, foi tomada pela diretoria da Caixa na semana passada.A idéia é trabalhar com consórcios que tenham prazos entre 60 meses ou 5 anos e 120 meses ou 10 anos. Uma duração mais curta, portanto, que alguns consórcios existentes no mercado, com prazo de até 15 anos. O participante de um grupo terá direito a uma carta de crédito, que, como nos consórcios tradicionais, poderá ser obtido por sorteio ou lance. Serão duas cartas por mês, uma por lance e outra por sorteio. A novidade no consórcio imobiliário é que a Caixa pretende corrigir o valor das prestações, uma vez por ano, pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Os consórcios de imóveis existentes no mercado têm adotado, em geral, o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) como fator de correção.O entendimento da Caixa é que a aquisição de imóvel por meio de consórcio é menos custosa que pelo financiamento com juros elevados. Mas falta a definição ainda da taxa de administração e do valor das cartas de crédito. Ademais, para pôr o consórcio no mercado, a Caixa depende também de aprovação do Banco Central, que regula as normas e fiscaliza o setor.O produto da Caixa poderá ganhar forte apelo se for permitido o uso dos recursos do FGTS como lance. A utilização depende ainda de permissão do Conselho Curador do FGTS, que administra os recursos do fundo.O sistema poderá ser interessante e seria mais uma opção para a compra de imóvel num momento que se escasseiam os financiamentos habitacionais concedidos pelos bancos. Mas a decisão de embarcar num consórcio exige algumas avaliações, segundo especialistas do setor. É preciso levar em conta que, enquanto não for contemplado, o participante estará desembolsando recursos para o pagamento de um imóvel que ainda não tem e poderá levar dez anos para receber.

Agencia Estado,

24 de setembro de 2001 | 09h05

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