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Caixa atende a pedidos de Lula e volta a cortar juros

Banco alega critérios técnicos e diminui taxa em 20 linhas de crédito para pessoas físicas e empresas

Fernando Nakagawa, O Estadao de S.Paulo

06 de fevereiro de 2009 | 00h00

Pela terceira vez em pouco mais de um mês, a Caixa Econômica Federal anunciou ontem a redução dos juros. A instituição explica a decisão por critérios técnicos, como o corte de 1 ponto porcentual da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em janeiro. O vice-presidente de finanças da instituição, Márcio Percival, admite, contudo, que a ação está alinhada com a política econômica e com o controlador da Caixa, o governo federal. Bancos públicos têm sido pressionados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reduzir os juros e ajudar a aquecer a economia. Ao todo, a Caixa diminuiu a taxa de 20 linhas de crédito. Nas operações para as pessoas físicas, houve redução nas linhas mais usadas, como o cheque especial, consignado, financiamento de veículos e compra de material de construção. No cheque, por exemplo, o juro máximo mensal caiu de 7,35% para 6,89%. Apesar da redução, a taxa continua alta: equivale a mais de três vezes o juro do consignado, cuja taxa caiu de 2,35% para 2,07%. A medida também beneficia empresas. Proporcionalmente, as maiores quedas para as pessoas jurídicas ocorreram nos empréstimos para capital de giro e antecipação de recebíveis como cartões de crédito e cheques pré-datados. O terceiro corte do juro desde o fim de dezembro segue a linha indicada pelo presidente Lula, que incitou os bancos públicos a reduzir as taxas e induzir movimento semelhante nos concorrentes privados. "Na Caixa, o controlador é o governo federal. Por isso, é sempre muito importante o que o presidente da República fala", disse o vice-presidente de finanças. Apesar disso, Percival explica que a redução de ontem é uma medida tomada com base em critérios técnicos e é a conjuntura que permite a diminuição das taxas. "Estamos alinhados com a política econômica e com o nosso controlador, mas é a análise técnica que justifica esse movimento dos juros." Entre os argumentos para o corte, estão a queda da Selic, a diminuição dos juros futuros, a redução do custo médio de captação e a queda da inadimplência. Com juros mais baixos, o vice-presidente acredita que o banco deve continuar a ganhar mercado. A Caixa espera terminar o ano com 7% do mercado de crédito, ante 6,5% no fim de 2008. Em 2007, tinha 7%. "Devemos ter esses bons resultados sem prejudicar a qualidade do crédito", acrescenta.Em tempos de crise, o banco espera crescer principalmente entre clientes de instituições privadas com dificuldade de obter crédito nos bancos de origem. Entre os critérios avaliados, estão, além das características da operação, o nível de renda, emprego, produção industrial e vendas no comércio.

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