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Caixa cria seguradora virtual

Com investimentos de R$ 200 milhões, banco lançará em 2016 a primeira companhia de seguros totalmente digital da América Latina

MURILO RODRIGUES ALVES, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2015 | 02h05

O francês Thierry Claudon, presidente da Caixa Seguradora, conseguiu vender, há dois anos, um consórcio por meio de um chat para uma cliente no Acre. O sucesso da negociação, feita pela internet, fez surgir a ideia da criação de uma empresa que mudasse a forma como os brasileiros compram seguros.

Com R$ 200 milhões aprovados pelo conselho de administração da Caixa Seguradora para investimentos neste ano e a expectativa de R$ 500 milhões para os próximos três anos, o objetivo é lançar, até o meio de 2016, a primeira companhia de seguros totalmente digital da América Latina. O nome ainda vai ser definido, mas Thierry diz que não quer nada que lembre o "burocrático" mundo dos seguros. Na sua definição, a ideia é que a nova empresa seja mais parecida com uma companhia de prestação de serviços do que com uma instituição financeira, o contrário do cenário dos seguros hoje no Brasil.

Esse modelo de seguradora totalmente digital permitirá a redução de até 15% nos custos dos produtos oferecidos, de acordo com a experiência internacional em países como Estados Unidos, Nova Zelândia e Coreia do Sul. Hoje, a Caixa Seguradora tem 10 milhões de clientes. As projeções conservadoras são de que, até 2025, a nova companhia consiga 3,5 milhões de novos contratos, o que implica 2,5 milhões de novos clientes.

Investimentos. Os investimentos para a criação da empresa serão bancados de acordo com a divisão societária da Caixa Seguradora - 51% da francesa CNP Assurances e 48,21% da Caixa.

Para o presidente da Caixa Seguradora, o setor de seguros ainda tem muito a crescer no Brasil e o objetivo dessa nova empresa é ampliar a participação em um País com grande população jovem e acesso à internet.

Ele cita de cabeça os números: de 40 a 50 milhões de brasileiros não contrataram nenhum tipo de seguro, outros 20 milhões nunca fizeram tratamento odontológico, a maciça maioria da população não tem seguro funerário. Segundo ele, é preciso se comunicar melhor com as classes emergentes. O setor ainda é bastante voltado para as classes A e B e deixa de lado as possibilidades de produtos para essa população.

A nova empresa não apenas venderá os produtos pela internet, serviço já disponível. "Queremos que a experiência seja totalmente digital, com a conveniência que o cliente espera", afirma. Ele reconhece uma dificuldade para corretores e bancos em ser proativos na oferta dos seguros. A indústria ainda busca maneiras de se adaptar ao mundo digital para ampliar a base de clientes e se conectar melhor com os assegurados que já são clientes, embora a regulação, diz Thierry, esteja se adaptando às novas tecnologias.

O Google recebe 11 milhões de buscas mensais sobre seguros, 15% delas feitas em smartphones, de acordo com Fabio Coelho, presidente do Google no Brasil. Esse número cresce 14% a cada ano. Em evento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), em novembro, ele afirmou que 70% das pessoas que têm seguros têm acesso a internet e 40% do processo de compra e renovação de apólices é originada na rede. Ele defendeu no evento que o "modelo mental" do comprador de seguros mudou.

Desafio. O desafio da indústria de seguros é capturar esse movimento rapidamente. Thierry diz não ter dúvida de que, mesmo com as incertezas sobre a atividade econômica do País nos próximos anos, esse é o momento certo para se lançar uma empresa nova. Ele afirma que momentos de dificuldade econômica, como o que o Brasil enfrenta, são, historicamente, propícios à área de seguros. "O brasileiro está pensando em como cuidar das conquistas que adquiriu nos últimos anos: casa própria, carro novo... Não terá direito para comprar bens novos, então é preciso cuidar dos antigos", afirmou.

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