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Caixa critica corte de juro de bancos privados

Presidente diz que bancos reduziram poucas taxas; Caixa anuncia hoje corte de juros no crédito imobiliário

CÉLIA FROUFE , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2012 | 03h09

Numa clara disputa por mercado, o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, alfinetou ontem os concorrentes do setor privado, argumentando que esses bancos, ao contrário dos oficiais, não diminuíram os juros para todos os clientes. Além disso, prometeu para hoje uma nova rodada de redução de taxas, citando o setor imobiliário, o segmento de móveis e eletrodomésticos e até para a renegociação de dívidas.

"Existe uma grande confusão nessa coisa de baixar juros. Muita gente baixou juro para nichos, mas a Caixa baixou os juros para todo mundo", comentou.

No início do mês, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil anunciaram taxas menores e mais oferta de crédito como parte da estratégia do governo de usar os bancos oficiais para reduzir o spread - diferença de taxas de juros obtidas e cobradas pelas instituições financeiras. A medida começou a ser seguida por bancos privados.

Assim como a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, enfatizou na semana passada ao Estado, o presidente da Caixa comentou ontem que cabe à população fazer o rastreamento. "A população tem de comparar para ver quem realmente tem a menor taxa de juros do Brasil", afirmou.

O executivo disse que a reação dos bancos privados já era "esperada" e contrapôs todas as análises de que a instituição estaria correndo risco ao reduzir as taxas.

"Temos a estratégia de ampliar nossa base de crédito e oferecer a nossos clientes os menores juros possíveis. A Caixa tem feito isso com responsabilidade. Não há ação da Caixa que não tenha respaldo. São atitudes responsáveis", alegou.

Calote. Hereda afirmou que a Caixa acompanha os dados sobre atrasos e inadimplência - quando a dívida não é paga por mais de 90 dias - diariamente. "A gente não tem aumento de inadimplência significativo que impeça de tomar alguma atitude", comentou.

Ele disse que as ofertas feitas pela Caixa estão sobre uma "linha segura". A situação, segundo o presidente, é similar à do início da crise externa, em 2008, quando "todo mundo se fechou". Naquele período, lembrou Hereda, a Caixa cresceu.

"Estamos avançando a uma média de 40% ao ano na carteira de crédito", comparou. "A Caixa está cumprindo seu papel de oferecer crédito à população, tem aumentado sua base de crédito e tem aumentado, inclusive, o seu lucro", salientou.

Feirão dos juros. Hereda anunciou ontem que a Caixa Econômica Federal vai realizar no dia 12 de maio um "grande feirão de juros baixos" voltado para renegociação de dívidas.

Hoje, a instituição também apresentará "novidades sobre juros" ao divulgar o Feirão Imobiliário do banco. "Vamos oferecer nossa linha de crédito a juros mais baixos para móveis, para eletrodomésticos e para o Minha Casa, Minha Vida", disse, sem informar quais serão as taxas oferecidas.

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