Caixa e BB vão reduzir tarifas bancárias

Executivo da Caixa promete corte nos próximos 10 dias, enquanto BB avalia data; Fazenda quer bancos públicos pressionando privados

RENATA VERÍSSIMO , ADRIANA FERNANDES / BRASÍLIA, LEANDRO MODÉ / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2012 | 03h09

As notícias desta semana de que os bancos podem ter elevado as tarifas sobre produtos e serviços incomodaram a presidente Dilma Rousseff e desencadearam uma ofensiva no governo para reverter o movimento. Após forçar a queda dos juros dos financiamentos e as taxas de administração dos fundos de investimento usando os bancos públicos, a mesma estratégia será usada para levar os concorrentes privados a rever tarifas.

A ação é para evitar que os bancos compensem a perda de receitas com a queda dos juros dos empréstimos aumentando as tarifas. O Banco do Brasil recebeu ordens do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para reduzir as sete tarifas que foram reajustadas no início do ano e estão acima das praticadas pelas instituições financeiras privadas.

Segundo fontes do governo, a avaliação do ministro é que o aumento das tarifas representa pouco para o resultado do Banco do Brasil, mas foi um sinal negativo para o mercado. Por isso, a instituição terá de revê-las. As mudanças devem ser anunciadas, no máximo, até a segunda semana de outubro.

O BB foi o segundo banco de varejo que reajustou mais tarifas desde janeiro, atrás apenas do Bradesco. De 42 tarifas, oito delas aumentaram e uma diminuiu. O argumento apresentado pelo Banco do Brasil ao ministro da Fazenda é de que foi uma reposição tarifária, porque a instituição manteve as tarifas bancárias inalteradas entre 2008 e 2011.

A Caixa diz que reajustou apenas uma tarifa em produtos de pessoas físicas nos últimos meses. Mesmo assim, vai promover reduções, segundo informou ao Estado o vice-presidente de Finanças, Márcio Percival. Segundo ele, o anúncio ocorrerá nos próximos 10 dias. "Estamos sempre reavaliando a estrutura de custos e, nesse contexto, vamos reduzir algumas tarifas de empresas e de pessoas físicas."

Percival argumentou que esse corte não vai influenciar negativamente os resultados do banco. "Vamos compensar com o aumento do volume de negócios."

Segundo levantamento da Austin Rating, a Caixa é a instituição financeira que teve a maior expansão de receitas com tarifas bancárias entre os primeiros semestres de 2011 e 2012:93%. "Mas não foi por causa de reajuste. A explicação é o aumento do número de clientes e de negócios", disse Percival.

Entre os privados, o levantamento mostra que a expansão no período foi de 36,4% no Santander, 16,7% no Itaú e 18,8% no Bradesco. O Santander não comentou, mas Itaú e Bradesco atribuíram as altas ao maior número de negócios.

"Nesse período, expandimos o crédito em 15%, o faturamento com cartões também em 15% e o número de correntistas cresceu 10%", disse o Itaú, em nota.

Também em nota, o Bradesco informou que "o aumento das receitas com prestação de serviços se deve a três fatores principais: abertura de mais de mil agências em 2011; acréscimo de 1,6 milhão de clientes e ampliação do portfólio de produtos e serviços".

O governo vem acompanhado o valor das tarifas desde abril, quando os bancos deram sinais de que poderiam usar os preços dos serviços para compensar as perdas provocadas pela redução das taxas de juros.

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