Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Daniella Marques, presidente da Caixa que entra com a missão de apurar denúncias de assédio da gestão anterior, de Pedro Guimarães Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Daniella Marques diz que criará canal direto para funcionárias da Caixa

Nova presidente do banco tomou posse em cerimônia oficial nesta terça-feira após a saída de Pedro Guimarães por denúncias de assédio

Anna Carolina Papp, Eduardo Gayer, Thaís Barcellos e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2022 | 19h17
Atualizado 06 de julho de 2022 | 12h36

BRASÍLIA - A economista Daniella Marques tomou posse nesta terça-feira, 5, como presidente da Caixa Econômica Federal e falou que o banco vai ser a “mãe da causa feminina”. Ela anunciou a criação do “Diálogo Seguro Caixa”, um canal exclusivo para funcionárias do banco. “Vai ser um canal diretamente comigo. Todas as mulheres e empregadas da Caixa poderão ser acolhidas, ouvidas e protegidas”, disse em coletiva de imprensa após a cerimônia de posse, que foi fechada. Ao todo, a Caixa emprega 135 mil mulheres, segundo o banco.

O canal, que será lançado dentro dos próximos 30 dias, é uma resposta à crise envolvendo Pedro Guimarães, que deixou a presidência do banco após denúncias de assédio sexual e está sendo investigado pelo Ministério Público.

Daniella também afirmou que as políticas de integridade, governança e prevenção a assédio serão revisadas. “Vamos atuar para proteger mulheres e fortalecer políticas de combate ao assédio.” Segundo ela, dois vice-presidentes da instituição já pediram afastamento. Foram afastados um chefe de gabinete e cinco consultores estratégicos. Ela anunciou que os 26 consultores serão trocados. 

“Todos serão afastados, não necessariamente por envolvimento com o episódio. O que tinha de ser feito ligado ao episódio já foi feito. Estou desenhando estrutura que atende ao meu modelo de gestão, gosto de gestão descentralizada.”

Por enquanto, ela só anunciou três novos nomes: a ex-secretária de Gestão Corporativa do Ministério da Economia, Danielle Calazans; o ex-coordenador da Empresa Gestora de Ativos, Alexandre Mota; e a ex-subsecretária de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas, Empreendedorismo e Artesanato, Caroline Busatto.

“Eu estou segura de que transformaremos essa crise em grande oportunidade para que a gente proteja e promova mulheres, não seja só banco de todos os brasileiros, mas a mãe de todas as causas das mulheres do Brasil. Eu convido a todos que se juntem à Caixa nessa causa porque lugar de mulher é onde ela quiser”, disse Daniella, em seu discurso de posse.

A nova presidente da Caixa também afirmou que quer fortalecer políticas de estímulo ao empreendedorismo feminino. “Não é possível que a mulher tenha 80% das decisões de consumo e só 20% do acesso ao crédito. Queremos apoiar e promover mulheres em todas as dimensões.”

Auxílio Brasil

Daniella disse que se reuniu na segunda-feira com o ministro da Cidadania para tratar do possível aumento do Auxílio Brasil para R$ 600, além da zeragem da fila. “Já estamos adiantando as minutas contratuais entre o Ministério da Cidadania e a Caixa. Se realmente for promulgada essa PEC, vamos fazer esse auxílio chegar a quem precisa o mais rápido possível.” 

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Bolsonaro ignora denúncias de assédio na Caixa em posse de Daniella Marques

Presidente negou que a chegada da executiva marque uma nova era no banco

Eduardo Rodrigues, Eduardo Gayer e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2022 | 21h05

BRASÍLIA - Na posse da nova presidente da Caixa, Daniella Marques, o presidente Jair Bolsonaro evitou falar em uma nova era para o banco público após a saída do ex-presidente Pedro Guimarães. Bolsonaro elogiou a nova presidente da instituição, que classificou como “competente”, e negou que ela assumiu o cargo por ser mulher – sem citar as acusações ao ex-chefe da Caixa.

“Não começa nova era na Caixa, a Caixa continua. É difícil a gente ver mulher na economia. O espaço da mulher é em qualquer lugar. Não precisa botar cota para mulher, ela vai com seus próprios méritos. Vamos nos orgulhar da nossa Caixa Econômica Federal”, limitou-se a falar o presidente, após um discurso muito mais centrado na disputa eleitoral deste ano.

Ex-secretária especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, Daniella assumiu o comando do banco após uma série de denúncias de assédio sexual e moral levar ao afastamento do ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães. Líder da instituição desde o início do governo de Jair Bolsonaro – e próximo ao presidente –, Guimarães nega as denúncias.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, membros da campanha para a reeleição do presidente recomendaram que ele criticasse publicamente a postura de Guimarães, em um momento de tentativa de recuperar parte do eleitorado feminino. Bolsonaro, no entanto, evitou até agora fazer maiores comentários sobre o caso.

A nova presidente da Caixa, Daniella Marques, por sua vez, isentou o presidente Jair Bolsonaro de não ter se posicionado até o momento sobre as denúncias de assédio envolvendo Pedro Guimarães e focou nas atitudes práticas do chefe do Executivo. “Bolsonaro tomou a atitude necessária para proteger a imagem da Caixa, afastou envolvidos”, afirmou em coletiva de imprensa. “Ninguém tem interesse em perseguir nem proteger ninguém”, acrescentou.

De acordo com Daniella, ela foi bem recebida pelas mulheres do banco. “Brinquei com o presidente que foi ano-novo das mulheres. Dos 20 maiores, não tem nenhum banco sendo presidido por mulheres”, seguiu. Em seguida, relatou como foi convidada por Bolsonaro a chefiar a Caixa. Ela recebeu uma ligação do presidente na terça à noite para comparecer ao gabinete no dia seguinte pela manhã.

“Vou trazer esse olhar aqui para dentro mas pretendo abrir uma frente de diálogo através da Febraban e mundo corporativo. Não é aceitável que se esteja ainda falando de assédio ou violência doméstica”, reiterou Daniella. “A gente vai tentar fazer frente ampla de união, eu fiz convite amplo para que todos se juntem à Caixa.”

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