Caixa Econômica Federal nega contrato com a Cisco

Multinacional é acusada montar esquema de fraudes nas importações de equipamentos de informática

Vannildo Mendes, da Agência Estado, Agencia Estado

24 de outubro de 2007 | 17h02

A Caixa Econômica Federal negou que tenha qualquer contrato com a Cisco, multinacional americana do setor de informática acusada montar um esquema de fraudes nas importações de equipamentos de informática e softwares em São Paulo, com ramificações no Rio de Janeiro e na Bahia. O esquema de fraudes foi descoberto pela operação Persona, da Polícia Federal e Receita Federal, e teria provocado um prejuízo de R$ 1,5 bilhão aos cofres brasileiros em sonegação de tributos nos últimos cinco anos. Em nota, a Caixa admite que tem equipamentos fabricados pela Cisco. Ressalta, porém, que os equipamentos foram adquiridos em licitação pública por meio de outras empresas. De acordo com a nota, os vencedores dos últimos pregões, de 2000 a 2007, onde estão incluídos produtos da Cisco, foram as empresas Damovo, Conecta, CPM, Telefônica, Medidata e IBM. A nota da Caixa foi emitida em referência a matéria publicada na edição de hoje do jornal Folha de São Paulo na qual menciona uma possível doação da Cisco ao PT como contrapartida de algum tipo de benefício em licitação. Entenda a operação A multinacional americana do setor de informática Cisco Systems e sua subsidiária no Brasil foram os principais alvos da Operação Persona, da Polícia Federal, em conjunto com a Receita e o Ministério Público, para desmontar um esquema gigantesco de fraudes no comércio exterior. Montado em São Paulo e com ramificações no Rio de Janeiro e na Bahia, o esquema teria causado um prejuízo de R$ 1,5 bilhão em sonegação de impostos em cinco anos.  A investigação começou há dois anos. Segundo o Ministério Público Federal, pelos menos oito crimes teriam sido praticados: formação de quadrilha, falsificação de documentos, uso de documento falso, corrupção ativa e passiva, contrabando, sonegação de impostos, ocultação de patrimônio e interposição fraudulenta de importações. Existe ainda uma suspeita de evasão de divisas. Fiscais da Receita Federal encontraram indícios de lavagem de dinheiro no esquema de fraude e sonegação de impostos. Os investigadores desconfiam que o esquema tenha praticado evasão de divisas simulando o pagamento de direitos autorais de softwares. O dinheiro seria enviado para empresas offshore com sede no Caribe como se tratasse de operação para pagar os titulares da patente do software. Para a Polícia Federal, essa seria uma forma de ocultar patrimônio. Os fiscais da Receita que participaram da Operação Persona ficaram entusiasmados com os documentos apreendidos sobre as offshore. Essas empresas seriam responsáveis pela ligação entre as empresas fantasmas brasileiras e as americanas mantidas pelo esquema. Além de propiciar a evasão por meio do pagamento de direitos autorais falsos, as operações com os softwares permitiam, segundo os investigadores, uma outra fraude: fingir que o valor do software era muito superior ao do equipamento importado. Nesse caso, o esquema ganhava ao deixar de recolher o Imposto de Importação do equipamento, ao mesmo tempo em que aproveitava a isenção existente para o software.

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