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Caixa eleva os juros de financiamentos imobiliários pela segunda vez em 2015

Aumento foi provocado pela alta da taxa básica de juros, a Selic; reajuste de 0,3 ponto porcentual começou a valer nesta 2ª feira

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S. Paulo

16 Abril 2015 | 13h53

Atualizado às 22h05

BRASÍLIA - A Caixa Econômica Federal, que detém quase 70% do crédito imobiliário no País, aumentou, pela segunda vez no ano, as taxas de juros das operações para financiamento de imóveis residenciais contratadas com recursos da poupança. As novas taxas já estão valendo para os imóveis financiados a partir desta segunda-feira, 13 de abril.

O banco, porém, só confirmou nesta quinta-feira que subiu os juros. A instituição informou, por meio de nota, que o aumento de 0,3 ponto porcentual nas taxas foi motivado pela alta dos juros básicos da economia – a Selic, atualmente em 12,75% ao, patamar decidido há mais de um mês na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central.

A última vez que o banco havia elevado os juros do crédito habitacional havia sido em janeiro, após congelamento que durou todo o ano de 2014. Na ocasião, a taxa chegou a subir 1,8 ponto porcentual para financiamentos dentro do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), que permite a compra de imóveis com valor acima de R$ 750 mil, para quem não fosse cliente do banco.

Como a Caixa é líder isolada no segmento imobiliário, alterações nas taxas praticadas pelo banco são seguidas pelos concorrentes. O aumento também impacta no ritmo de atividade da construção civil. Para Miguel José Ribeiro, diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), “este movimento deverá ser seguido pelos demais bancos, já que a Selic vem apresentando elevação, frente a um ambiente de maior inflação”.

Maior financiadora da habitação no País, a Caixa afirmou, em nota, que, mesmo com o ajuste, ainda oferece as melhores taxas do mercado no âmbito do Sistema Financeiro Habitacional (SFH) – imóveis de até R$ 750 mil em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal. Nos demais Estados, o teto é de R$ 650 mil. No entanto, as taxas do Banco do Brasil para financiamentos de casas acima desses valores são menores do que as da Caixa, que optou por não fazer ajustes nessa linha.

Na Caixa, a taxa balcão – para consumidores sem relacionamento com o banco – subiu de 9,15% ao ano para 9,45%; para quem já tem relacionamento com o banco (quem é correntista, por exemplo), os juros subiram de 9% para 9,3%. Os clientes que ainda recebem pelo banco pagam taxa de 9%, ante 8,7% definida em janeiro. Essa é a mesma taxa de servidores públicos que são correntistas do banco. Para os servidores públicos que além de correntistas recebem pela instituição, a Caixa cobra juros de 8,8% nos financiamentos desde segunda, ante 8,5% de janeiro.

O valor total do financiamento de R$ 500 mil em 30 anos ficou R$ 46,5 mil mais caro para os consumidores que não são clientes da Caixa e pagam a taxa balcão. Cada uma das 360 parcelas mensais passou de R$ 3.937,07 para R$ 4.066,36, de acordo com os cálculos da Anefac. Para os outros tipos de financiamento, o impacto do aumento nas taxas variou de R$ 30 mil a R$ 45 mil nessa mesma simulação. A Caixa informou que as taxas dos financiamentos contratados com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que incluem os do programa Minha Casa, Minha Vida, não sofreram reajuste.

Além de subir as taxas, o banco também reduziu o porcentual máximo de financiamento da casa própria. O porcentual máximo do LTV – a quota de financiamento – caiu de 90% para 80%. Isso significa que antes a Caixa financiava até 90% do menor valor entre a avaliação e a compra e venda. O porcentual passou para 80%. Para contratações pelo sistema de amortização Tabela Price, a cota máxima de financiamento foi reduzida de 70% para 50%.

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