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Caixa empresta R$ 2 bilhões à CSN

Segunda maior operação de crédito da instituição ocorreu por causa de pendenga entre a siderúrgica e o BNDES

Fernando Nakagawa e Irany Tereza, BRASÍLIA e RIO, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2009 | 00h00

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou ontem, em curto comunicado ao mercado, ter contratado empréstimo de R$ 2 bilhões com a Caixa Econômica Federal (CEF), por meio da emissão de cédula de crédito bancário, numa operação com prazo de amortização de 36 meses. A Caixa não confirmou o empréstimo, só informou que tem atuado para atrair grandes clientes. A alternativa de recorrer à Caixa decorre do impedimento da CSN de obter recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A siderúrgica entrou em litígio com o banco há três anos, por causa da conversão de debêntures da Vicunha em um lote de 1,4 milhão de ações. Benjamin Steinbruch, acionista controlador da CSN, contestou na Justiça a operação feita pelo BNDESPar. Desde então, o banco vem se declarando impedido, pelo regime geral de operações, de fornecer novos empréstimos ao grupo. Segundo uma fonte ouvida pela Agência Estado, Steinbruch já tentou negociar financiamentos, mas a questão é delicada e sobre isso nem há consenso no banco. A operação da CSN equivale a 2% da carteira de crédito da Caixa, que somava R$ 101 bilhões em junho. É a segunda grande operação da Caixa no atacado. Em outubro de 2008, no ápice da crise global, a Petrobrás tomou R$ 2 bilhões da Caixa para pagar impostos, numa operação cercada de polêmica. Com o travamento do mercado de crédito, em setembro de 2008, a Petrobrás não conseguia recursos dos tradicionais credores para dívidas de curtíssimo prazo, como o pagamento de impostos. Por isso, a Caixa foi acionada. A operação suscitou suspeitas no mercado no Congresso de que a Petrobrás poderia estar em dificuldades. Fontes do governo rechaçaram a avaliação de que empréstimos como esses podem ser vistos como favorecimento de uma instituição oficial a grupos econômicos. Eles observam que o que prevalece é a orientação de que os bancos oficiais atendam às necessidades das empresas nacionais, sempre que isso for viável e rentável. Na diretoria da Caixa, se afirma que se trata de uma nova frente de negócios e uma oportunidade de atuação mais diversificada. Fontes da instituição dizem que a vantagem desse tipo de operação é que os grandes clientes representam menos risco de inadimplência. O analista Gilberto Cardoso, do Banif, acredita que os R$ 2 bilhões serão usados pela CSN para melhorar o perfil da dívida. "A empresa deve estar trocando dívida. Não vejo sentido para a CSN pegar dinheiro agora para projetos de expansão", afirmou. No segundo trimestre, a empresa informou que seu endividamento total havia crescido R$ 2,1 bilhões em relação ao fim de março, totalizando R$ 4,9 bilhões. O crédito da Caixa pode ser também uma alternativa aos planos da empresa de captar no exterior. No dia 12, a agência Dow Jones divulgou que a siderúrgica planejava levantar até US$ 750 milhões por meio de uma emissão de bônus no exterior. O Banco Itaú BBA e o Morgan Stanley teriam sido contratados para coordenar a operação, que, até o momento, não foi anunciada pela empresa.AÇÃOEm abril de 2008, a juíza Simone Lopes da Costa, da 6.ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, determinou que o BNDESPar restituísse 1.465.815 ações ordinárias à Vicunha Siderurgia S/A, de emissão da CSN, entregues em excesso da permuta de debêntures feita em 19 de abril de 2005, e também o valor correspondente aos dividendos e juros sobre o capital próprio pagos ao banco. O banco decidiu recorrer. COLABORARAM BEATRIZ ABREU, MÔNICA CIARELLI e NICOLA PAMPLONA

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