Caixa muda estatuto para tentar evitar pressões políticas

Mesmo sendo uma empresa sem acionistas minoritários, que pertence ao Tesouro Nacional, a Caixa Econômica Federal está se precavendo contra possíveis ingerências políticas na administração no futuro. O programa de reestruturação da instituição, que começou no ano passado, foi concluído nesta quinta-feira com a publicação do decreto com o novo estatuto do banco. ?São medidas que minimizam o risco de interferência indevida na empresa?, disse o presidente da Caixa, Valdery Albuquerque.Segundo ele, a regulamentação aprimora os atuais modelos de organização e gestão da empresa, com ênfase para a transparência e o controle social. A Caixa iniciou, este ano, a publicação trimestral de balanços. A instituição também se abriu para a análise do mercado, submetendo os dados, periodicamente, à Associação Brasileira de Mercado de Capitais (Abamec).Também acaba de sair a classificação de risco da empresa, solicitada à agência internacional de classificação de risco, Moody?s. Pelo relatório da Moody?s, a Caixa recebeu, em escala nacional, a mais alta classificação como detentora da ?mais forte capacidade de crédito e menor possibilidade de perda de crédito em relação aos outros bancos locais?. Além da Caixa, apenas quatro instituições brasileiras atingiram essa graduação (Bradesco, Banco do Brasil, Itaú e BNDES).Albuquerque disse que a classificação de risco, que deverá ser renovada periodicamente pela empresa, é o primeiro passo para a Caixa se lançar no mercado internacional. ?Temos a intenção de captar no mercado externo, seja mediante uma operação de securitização internacional ou emissão de bônus?, afirmou. Ele admitiu que dificilmente a instituição fará isso esse ano, devido ao cenário externo adverso. ?Precisamos de uma janela de oportunidade para que a Caixa possa se apresentar ao mercado em condições minimamente razoáveis?, disse.Albuquerque está convencido de que essa exposição da empresa acabará por protegê-la. "O consumidor não quer mais ser chamado a pagar a conta. Ele exige melhor atendimento e desempenho do setor público. Política pública não tem nada a ver com ineficiência?, afirma. Ele garante que o lucro da instituição poderá, dentro de pouco tempo, ser fonte orçamentária para o financiamento do déficit habitacional do País. O novo estatuto transforma os atuais diretores em vices-presidentes da empresa. Até 20 dos atuais 34 superintendentes poderão ser transformados em diretores. O cargo de diretor passará a ser exclusivo de funcionário de carreira. A nova diretoria executiva será constituída pelo presidente, nove vices-presidentes e diretores. Nada muda no Conselho de Administração, presidido pelo secretário executivo do Ministério da Fazenda e nem no Conselho Fiscal, presidido por um representante do Tesouro Nacional.

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