Caixa: mudanças afetarão 100 mil pessoas

Pelo menos 100 mil pessoas deixam de atender os critérios para financiamentos da Caixa Econômica Federal (CEF) no Estado de São Paulo para a compra de imóveis usados por conta das mudanças nas regras de liberação da carta de crédito imobiliário do banco. O número foi estimado pelo presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Orlando de Almeida, baseado em pesquisas da entidade. "Essa é a média de inquilinos no Estado que pagam cerca de R$ 500 mensais de aluguel. Segundo ele, essas pessoas poderiam estar assumindo a dívida de um imóvel financiado com carta de crédito no valor de R$ 60 mil, cuja prestação ficaria por volta de R$ 700 em 15 anos.A Caixa restringiu nesta semana a liberação das cartas de crédito para a compra de imóveis usados a quem ganha acima de 12 salários mínimos, ou seja, quem estaria dentro do perfil de comprador de um imóvel financiado no valor de R$ 60 mil. Também passou a ser obrigatória a formação de uma poupança de 12 meses antes da aprovação do crédito.Para Orlando Almeida, com a decisão de só financiar imóveis novos, os possíveis clientes da Caixa prejudicados pela medida terão de adiar em pelo menos dois anos o sonho da casa própria, prazo médio para entrega de um imóvel na planta. Mas mesmo a compra de uma casa ou apartamento na planta vai pesar mais no bolso do interessado a partir de agora, acredita o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon), Arthur Quaresma Filho.A Caixa aumentou em 50% os juros do Construgiro, a linha dedicada às construtoras para o desconto dos créditos futuros, a ser recebidos dos compradores dos imóveis. A taxa de redesconto, que era de 1% ao mês, está passando para 1,5% ao mês. O presidente do Sinduscon acredita que a medida já cria um efeito psicológico ruim. "Enquanto o governo investe na queda dos juros e anuncia uma taxa real de 7% para o ano que vem, a Caixa Econômica cria despesas que serão pagas pelo consumidor", diz Quaresma Filho.

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