Caixa nega aumento de tarifas durante a crise econômica

Segundo o banco, uma mudança na forma de contabilizar as receitas com tarifas influenciou no reajuste

Edna Simão, da Agência Estado,

14 de setembro de 2009 | 12h46

O vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Márcio Percival, afirmou nesta segunda-feira, 14, que o banco não aumentou as tarifas durante a crise econômica mundial. "Durante a crise, as a tarifas não subiram", disse. Neste último domingo, 13, o jornal Folha de S.Paulo publicou uma matéria informando que os bancos públicos - Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal - estavam aumentando as tarifas para compensar a redução dos juros nos empréstimos bancários.

 

Segundo o vice-presidente, houve mudança na forma de contabilizar as receitas com tarifas, o que acabou influenciado esse número. A renda com tarifas da Caixa Econômica Federal teve um aumento de 50,86% no primeiro semestre na comparação com o mesmo período do ano anterior.

 

CEF visa aumento dos negócios com aposentados com INSS

 

Com a mudança do cenário econômico e a queda dos juros no país, Percival, considera que a conquista de quatro lotes no leilão da folha de pagamento dos novos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deve contribuir para o aumento dos negócios com os aposentados. Para ele, a Caixa não pagou caro pelos lotes que conquistou. Percival explicou que a instituição fez uma precificação dos locais em que gostaria de crescer e disputou essas áreas até o limite de preço estabelecido internamente. "Alguns locais nós levamos e outros não". A Caixa Econômica Federal vai efetuar o pagamento dos novos benefícios em Santa Catarina, Pernambuco, Espírito Santo e Piauí.

 

Governo quer cobrar dos bancos que já pagam INSS

 

Depois de assinar os contratos com os bancos para pagamento das novas aposentadorias concedidas a partir de janeiro do próximo ano, o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Valdir Simão, afirmou que o governo já se movimenta para resolver outro problema: quanto será cobrado das instituições financeiras que hoje já prestam esse serviço. Atualmente esse estoque de benefício é de 26,6 milhões de aposentadorias. "Vamos fazer uma contratação direta", afirmou Simão, que assinou hoje o contrato com as instituições financeiras que participaram do leilão da folha de pagamento dos novos benefícios do INSS.

 

Antes o governo pagava aos bancos para que os benefícios chegassem aos aposentados. Agora, pretende receber porque considera que a carteira dos aposentados é um ativo, ou seja, as instituições financeiras podem alavancar a quantidade de clientes e ganhar dinheiro com os empréstimos concedidos para esse público.

 

Até 2007, o INSS desembolsava cerca de R$ 250 milhões por ano para que as instituições financeiras efetuassem o pagamento das aposentadorias. Em 2008, o governo fechou um acordo com os bancos suspendendo pagamento pela prestação de serviço até o final deste ano. Atualmente, está nas mãos do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, as negociações sobre como o governo cobrará dos bancos pelo pagamento do estoque dos benefícios a partir de janeiro do próximo ano.

 

Caixa quer aumentar participação no mercado de seguros

 

A Caixa Econômica Federal quer aumentar a participação no mercado de seguros. Segundo o vice-presidente do banco, Márcio Percival, a instituição financeira está "prospectando" o segmento de seguros, sem dar mais informações sobre quais seguradoras a Caixa tem interesse de adquirir. "Queremos ter participação em outras empresas seguradoras", afirmou, acrescentando que atualmente sua participação está limitada à Caixa Seguros.

 

Segundo Percival, com o novo regulamento para o setor - que deverá ser aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na reunião deste mês --, os bancos serão obrigados a oferecer mais que um seguro no balcão e a Caixa precisa estar preparada para atuar nesse cenário. O vice-presidente da Caixa destacou ainda que, atualmente, a participação da área de seguro no resultado da Caixa é "pequena" e, portanto, é preciso ampliá-la. Em alguns bancos privados a participação da área de seguro no resultado chega a ser de 30%.

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