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Caixa negocia com auditor tirar ressalva do balanço

Além de criar uma diretoria de Integridade, o banco público se movimenta para fazer o mesmo com as áreas de auditoria e corregedoria

Coluna do Broadcast, O Estado de S. Paulo

23 de junho de 2019 | 05h00

A Caixa Econômica Federal negocia com a PwC a retirada da ressalva das suas demonstrações financeiras por conta de investigações da Polícia Federal envolvendo o banco público. Ainda assim, pode ser que a ponderação seja mantida no balanço do primeiro trimestre, que será divulgado amanhã, dia 24, e saia apenas no demonstrativo do segundo trimestre.

Para convencer a PwC a retirar a ressalva, a nova gestão da Caixa colocou em prática sugestões da consultoria para elevar os padrões de governança. Além de criar uma diretoria de Integridade, o banco público se movimenta para fazer o mesmo com as áreas de auditoria e corregedoria. As sugestões já haviam sido feitas pelo auditor à administração anterior do banco, mas ainda não tinham sido implementadas.

Até quando?

O banco negocia a retirada da ressalva com a justificativa de que as investigações em curso não geraram impacto contábil à instituição. Esperar o término das operações pode levar muito tempo, e a marca no balanço dificulta a Caixa a levantar recursos neste momento, principalmente no exterior. Como a nova gestão considera emitir até R$ 8 bilhões em letras financeiras, tradicional título de captação bancária, sem a ressalva, fica mais fácil. Além disso, a Caixa também tem planos de abrir o capital de quatro subsidiárias no Brasil e no exterior. 

Túnel do tempo

A PwC incluiu uma opinião com ressalva no balanço da Caixa em 2017 por conta do envolvimento de administradores e ex-funcionários do banco em operações deflagradas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Na época, a instituição chegou a atrasar a divulgação de um balanço trimestral em que a auditoria se recusou a assiná-lo por conta das investigações. Procurado, o banco não comentou. A PwC Brasil informou que tem por política não comentar casos de clientes.

Cannabis

A Verdemed, farmacêutica canadense de medicamentos à base de canabinoides, adquiriu o laboratório Mydstein, em São Paulo, por US$ 1 milhão. Seus planos para o mercado brasileiro vão além. A meta é investir até o final do ano US$ 10 milhões para expandir a venda de medicamentos à base de cannabis (maconha medicinal) no País. 

Ao mar

A entrada em vigor do cadastro positivo, prevista para julho, deve impulsionar a oferta de empréstimos e, de quebra, também pode motivar mais ações na Justiça. O escritório Fortes & Prado, focado em direito do consumidor para o mercado de cruzeiros, projeta alta de 15% no volume de questionamentos em 2019 por conta do impacto do novo sistema, que deve trazer um público munido de crédito para viagens na costa brasileira.

Reforço

Com planos de desembarcar em São Paulo em 2020, a carioca Inove Investimentos, escritório de agentes autônomos conectada à XP com R$ 1,1 bilhão sob gestão, vai contratar de cinco a 10 profissionais de grandes bancos e abrir mais um escritório no Rio de Janeiro. O próximo é São Paulo, onde estão 20% dos recursos custodiados.

Aquecido

O setor imobiliário tem aumentado sua captação no mercado de capitais. A securitizadora Fortesec estrutura no momento 19 Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Até maio de 2019, a empresa teve o dobro de operações ante o mesmo período do ano passado.

Unindo esforços

A Universidade Paulista (Unip) e a Beneficência Portuguesa de São Paulo preparam em silêncio o ingresso conjunto na graduação de Medicina. Uma unidade física do grupo já teria sido escolhida para abrigar os novos alunos. O curso deve ser ministrado na unidade da Unip na Vila Clementino, em São Paulo, onde há um edifício atualmente subutilizado. 

Dividindo o risco

A soma de esforços para ofertar curso de Medicina é uma saída que as universidades têm encontrado para minimizar o risco envolvido. De custo elevado, as mensalidades de uma graduação na área em grupos privados chegam a R$ 9 mil. O Estado de São Paulo tem cerca de 40 universidades públicas e privadas que oferecem o curso.

Sonho antigo

A abertura de um curso de Medicina na Unip é um sonho antigo do reitor e fundador da universidade, João Carlos Di Gênio. Afinal, foi justamente a disciplina que uniu inicialmente os estudantes Di Gênio e Drauzio Varella, além dos médicos Roger Patti e Tadisi Itto, para fundar em 1965 o preparatório para vestibulandos de Medicina, instituição que foi posteriormente ampliada em outras frentes, criando um conglomerado de ensino. Ao menos desde 2007, a Unip possui autorização do Ministério da Educação para oferecer o curso. Procuradas, Unip e Beneficência Portuguesa não comentaram.

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