Amanda Perobelli/Reuters
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Caixa prepara IPO da área de seguros em abril e avalia negócio em até R$ 60 bi

Abertura de capital da Caixa Seguradora seria a 1ª do banco público e da equipe econômica do governo Bolsonaro; no mercado, aposta é de que a operação possa movimentar valor próximo ao da BB Seguridade, que levantou R$ 11,5 bilhões na B3

Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

06 de janeiro de 2020 | 05h00

A Caixa Econômica Federal prepara para abril a abertura de capital da Caixa Seguridade, divisão de seguros do banco. A expectativa do banco público, segundo apurou o ‘Estadão/Broadcast’, é de que a empresa chegue valendo entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões na B3, marcando a primeira oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da história da instituição financeira e da equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro. 

Segundo fontes próximas ao banco, a Caixa já organiza um calendário extenso de reuniões com investidores (roadshow, no jargão do mercado) para garantir uma boa precificação do ativo. 

No mercado financeiro, a aposta é de que a abertura de capital do negócio de seguros da Caixa fique próximo ou até mesmo supere a da BB Seguridade, do Banco do Brasil, que levantou R$ 11,5 bilhões na B3, em abril de 2013. A operação serviu de modelo para a reestruturação da Caixa Seguridade.

É a segunda vez que a Caixa tenta emplacar o IPO da sua divisão. Em 2015, o banco chegou a sondar o mercado, mas não obteve o valor que esperava pelo negócio. 

A operação é parte da estratégia de venda de ativos da Caixa para este ano. Em 2019, foram arrecadados R$ 15 bilhões com os desinvestimentos, considerando apenas operações próprias do banco. Para 2020, conforme o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, o objetivo é arrecadar volume “bem maior”. 

“Em 2020, teremos foco total na abertura de capital da Caixa Seguridade e da Caixa Cartões. O da Caixa Seguridade será um laboratório para os demais. A Caixa é um banco social, portanto, a questão da seguridade é muito importante”, afirmou o executivo, em recente entrevista ao Estadão/Broadcast, sem revelar o tamanho da operação e o valor esperado para o negócio.

Prioridade

Escolhido para presidir a Caixa no governo de Bolsonaro, Guimarães passou a se dedicar pessoalmente ao negócio de seguros após assumir o comando do banco. Dentre as mudanças que capitaneou, ordenou a revisão de todos os contratos já fechados em seguros até então, incluindo três parcerias seladas com a francesa CNP Assurances – atual sócia da Caixa em seguros (leia mais abaixo).

Apesar de ter postergado a abertura de capital de seguros, antes prevista para 2019, sua gestão conseguiu rentabilizar melhor o ativo. O valor fechado com a CNP, por exemplo, de R$ 7,8 bilhões, ficou 70% acima do montante acertado na gestão anterior. A renegociação mais favorável para o banco público foi possível mesmo com o Brasil enfrentando um dos momentos mais difíceis dos últimos anos nas relações diplomáticas com a França, durante o governo Bolsonaro.

Tesouro

Parte dos recursos obtidos com o IPO da Caixa Seguridade deve ser utilizada para a Caixa amortizar sua dívida com o Tesouro Nacional no âmbito dos chamados instrumentos híbridos de capital e dívida (IHCD). O banco já teria pago R$ 11,3 bilhões de um saldo de cerca de R$ 40 bilhões. Tais recursos foram aportados na instituição na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff para suportar a estratégia de concessão de crédito utilizada na época.

Procuradas, a Caixa e sua seguradora não comentaram.

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