Caixa quase triplica verba para esporte

Banco estatal, que já banca times de futebol em troca da folha de salários de prefeituras, vai liberar R$ 209 milhões em patrocínios este ano

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2013 | 02h09

BRASÍLIA - De olho na folha de salários de prefeituras e embalada pela superexposição desejada pelo Palácio do Planalto na atuação de atletas nacionais na Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro, a Caixa Econômica Federal abriu os cofres neste ano e liberou praticamente o triplo de patrocínio esportivo em relação ao ano passado. Dados obtidos pelo 'Estado' revelam que, até agora, estão fechados R$ 209 milhões de patrocínio para este ano, ante R$ 76,5 milhões em 2012.

A cifra pode ser ainda maior porque a instituição, cujo único controlador é o governo federal, negocia neste momento patrocínio para os atletas do ciclismo até os Jogos Olímpicos, em 2016.

 

Do total de investimentos este ano, mais de R$ 100 milhões são direcionados aos clubes de futebol, incluindo os R$ 15 milhões do patrocínio ao Vasco que só não foram liberados porque o clube não conseguiu regularizar sua situação fiscal. Não foram contabilizados os R$ 10 milhões de patrocínio ao campeonato brasileiro de futebol feminino porque o dinheiro sairá das loterias.

No ano passado, a parcela do futebol ainda era modesta, de R$ 6 milhões. Oficialmente, a Caixa diz que a estratégia agressiva no futebol se deve à expressiva exposição da marca. O Estado revelou, porém, que o banco usa o patrocínio como "moeda de troca" para a aquisição da folha de pagamento de prefeituras de cidades que sediam times que não estão na primeira divisão.

Além da presença nas camisas dos jogadores de futebol, a Caixa usa historicamente os patrocínios esportivos para dar suporte às modalidades olímpicas. De olho na exposição que o desempenho dos atletas pode dar ao banco durante os Jogos Olímpicos de 2016, os investimentos para esportes olímpicos e paraolímpicos aumentaram exponencialmente nos últimos anos.

Em 2003, primeiro ano do governo do PT, a Caixa patrocinava somente o atletismo, com R$ 5,2 milhões. Em 2007, quando já patrocinava quatro modalidades olímpicas, os desembolsos foram de R$ 31,1 milhões. Em 2011, primeiro ano de Jorge Hereda à frente da instituição, os patrocínios chegaram a R$ 52,3 milhões.

Concorrência. O outro único banco que informa o total de patrocínio esportivo é o também público Banco do Brasil. No primeiro semestre deste ano, segundo as demonstrações financeiras do banco, foram investidos R$ 45,6 milhões, ante R$ 82,4 milhões em 2012 inteiro, quando se registrou recorde de patrocínio. A maior parte é para o vôlei.

O maior banco público brasileiro estima fechar 2013 com patrocínios esportivos no montante de R$ 90 milhões, expansão de 10% em relação ao ano anterior, justificada pela inclusão de handebol, skate, três atletas do tênis "chancelados" por Gustavo Kuerten (Guga) e o velejador Bruno Prada.

Os bancos privados não divulgam o total de patrocínios porque, por questões negociais, não revelam o quanto investem para ter a marca em grandes eventos. O Bradesco afirmou que investiu R$ 33,7 milhões em patrocínios esportivos em 2012 e prevê manter o mesmo investimento este ano. O montante não considera desembolsos como patrocinador oficial da Olimpíada e Paralimpíada, cuja estimativa do mercado gira em torno de R$ 50 milhões por ano.

Outros bancos não quiseram revelar valores. O Ministério do Esporte, no entanto, premia as empresas que mais colocam dinheiro por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, que permite dedução de impostos.

Em 2012, o Bradesco liderou o ranking, com R$ 22,5 milhões de investimentos, seguido pelo Itaú Unibanco, cujos aportes foram de R$ 14,9 milhões. A Petrobrás, com R$ 12,5 milhões, ficou em terceiro.

Embora menos vultosos que os patrocínios esportivos, a Caixa pretende ampliar também o apoio cultural neste ano. No primeiro semestre, foram investidos quase R$ 36 milhões. A expectativa é que a área cultural receba até R$ 60 milhões até o fim do ano, ante R$ 43,3 milhões liberados em 2012.

Somando esportes e cultura, o BB deve fechar o ano com investimentos da ordem de R$ 200 milhões - praticamente o valor que a Caixa já gastou somente com o apoio esportivo.

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