Caixa reduz taxa de administração de fundos de investimento em até 60%

Decisão faz parte da estratégia do governo federal de pressionar outros bancos a reduzirem juros em empréstimos e taxas em aplicações

LUIZ GUILHERME GERBELLI , O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2012 | 03h04

A Caixa Econômica Federal anunciou ontem alterações em seus fundos de investimento, com reduções de até 60% nas taxas de administração. Segundo a Caixa, o objetivo é expandir a participação do banco na indústria de fundos.

As alterações nos fundos incluem a redução do valor de aplicação inicial, cortes nas taxas de administração e lançamento de produtos. A Caixa reduziu o valor de aplicação em mais 14 fundos, dos quais seis também tiveram cortes significativos na taxa de administração.

"Ocupamos hoje a 4.ª posição no segmento de renda fixa, com 11,92% de participação de mercado. Agora, a estratégia da Caixa também é expandir sua participação na indústria de fundos nas classes Ações e Multimercado, colocando à disposição dos clientes produtos ainda mais competitivos também nestes segmentos", disse, em nota, o vice-presidente de Ativos de Terceiros da Caixa, Marcos Vasconcelos.

A decisão da Caixa faz parte da estratégia do governo federal de pressionar outros bancos a reduzirem juros e taxas. O Santander, por exemplo, fez uma leva de reduções em maio e informou que está avaliando outra redução.

O Banco do Brasil, que baixou as taxas em maio, afirmou que "reavalia permanentemente sua política de taxas de administração para fundos de investimento, com vistas a adequá-la à realidade do mercado."

O Itaú também reduziu as taxas em maio e informou que está "sempre analisando a necessidade de alteração das taxas, devido a mudanças externas, como redução da taxa de juros e competitividade". Já o HSBC não fez reduções específicas e disse que as taxas variam "em função do relacionamento" com o cliente. O Bradesco, que também reduziu as taxas em maio, não deve alterá-las por ora.

Mudança. O mercado de fundos deve passar por uma transformação nos próximos anos se o cenário de juros baixos for mantido. A taxa básica de juros no piso histórico de 7,5% ao ano tirou a atratividade de boa parte desse mercado.

"Com os juros mais baixos, os bancos precisam reduzir o custo da taxa de administração e diminuir o valor mínimo da aplicação", afirmou Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Essa expectativa de taxa de juros baixa por um longo período deve também mudar o tipo de fundos ofertados. "Vamos ver nos próximos dois anos uma fase de adaptação", disse Alexandre Chaia, professor de economia do Insper. / COM MURILO BOMFIM E MURILLO FERRARI, ESPECIAL PARA O ESTADO

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