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Caixa segura oferta de empréstimo imobiliário com recursos da poupança

Com recorde de saques na caderneta de poupança, Caixa viu diminuir sua principal fonte de recursos para a concessão de financiamentos imobiliários e orientou seus gerentes a travar a concessão de novos empréstimos para construção e compra de imóveis

Murilo Rodrigues Alves Erich Decat, O Estado de S. Paulo

12 Maio 2015 | 05h00

BRASÍLIA - A Caixa Econômica Federal orientou sua rede a suspender todos os novos pedidos de financiamento imobiliário com base em recursos da caderneta de poupança. Nos últimos meses, houve saque recorde da caderneta e a Caixa ficou sem recursos para emprestar.

A informação sobre a suspensão dos empréstimos foi repassada ao Estado por fontes do banco e da construção civil e confirmadas pela reportagem nas agências pelos funcionários do banco. A Caixa precisa honrar os contratos assinados antes de aprovar novas operações.

Segundo a reportagem apurou, apenas nos quatro primeiros meses do ano, R$ 8,9 bilhões foram retirados da poupança da Caixa, 37,5% dos saques totais do sistema (R$ 23,7 bilhões).

A maior parte das contratações da carteira de crédito habitacional da Caixa tem como fonte recursos da poupança. Dos R$ 128,8 bilhões contratados em 2014, R$ 79,4 bilhões vieram do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) - ou seja, mais de 60% das operações tiveram como fonte os depósitos das cadernetas.

As operações com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) responderam por R$ 40,9 bilhões e R$ 8,5 bilhões foram contratados com recursos de outras fontes.

Sem promessas. A suspensão dos novos financiamentos de casas com recursos da poupança foi passada às agências por determinação da diretoria da Caixa. Um gerente ouvido pela reportagem, e que falou sob a condição de anonimato, disse que a “prioridade” do banco era contratar o que tinha sido aprovado até o dia 10 de abril, antes de a Caixa subir os juros.

“Do que foi aprovado a partir do dia 13 de maio não temos garantia de contratação, porque o banco não tem recurso para fazer essas operações”, afirmou o gerente. “Nos orientaram a ter cuidado para não prometer o financiamento ao cliente e depois não cumprir porque o banco não tem o dinheiro disponível”, completou.

Um correspondente bancário (pessoa jurídica que atua como intermediária entre o banco e os clientes) da Caixa disse sugerir aos clientes fazer os financiamentos em bancos privados, porque não há prazo para a retomada das operações.

Aproximadamente três quartos dos contratos assinados no mês passado foram feitos pelos 15 mil correspondentes bancários. Como ganham comissões com base nos contratos fechados, eles viram no mês passado, em meio ao Feirão Caixa da Casa Própria, a última oportunidade para finalizar as operações que estavam nas gavetas.

Aos poucos, a Caixa foi colocando barreiras a novas concessões de crédito, até chegar à decisão de que não aprovaria novos financiamentos, principalmente para aqueles que não têm relacionamento com o banco. Desde setembro do ano passado, o banco já se negava a emprestar para aqueles que tinham renda informal. Neste ano, subiu duas vezes os juros dos financiamentos com recursos da poupança, no que foi seguida pelos concorrentes. Depois, o banco informou que financiaria, no máximo, 50% dos imóveis usados - antes, essa fatia chegava a 80%.

Foco. Oficialmente, a Caixa afirmou que as operações com recursos da poupança estão ocorrendo “dentro do que foi estimado e programado”. Informou também que “o foco” este ano é o financiamento de imóveis novos para a habitação popular. É o caso das operações do programa Minha Casa Minha Vida e daquelas que têm o FGTS como fonte de recursos.

“A Caixa esclarece que os canais são livremente escolhidos pelos clientes, conforme conveniência de atendimento e sem qualquer direcionamento do banco”, informou a Caixa em nota sobre o comportamento dos correspondentes. 

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