FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Caixa tem aumento nos pedidos de crédito

Financiamentos do banco para construção e compra de imóveis são maiores que em 2016

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2017 | 05h00

O presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, afirmou que os financiamentos concedidos pelo banco para a compra e a construção de imóveis no primeiro bimestre de 2017 no País já são maiores do que no mesmo período de 2016, reforçando as expectativas de que o mercado imobiliário voltará a crescer neste ano.

“Há expectativas da Caixa de crescimento do mercado imobiliário, mas também há dados que já mostram essa realidade”, afirmou Occhi, durante o Summit Imobiliário.

Em janeiro e fevereiro, o banco liberou R$ 14 bilhões de financiamento imobiliário. Para todo o ano, a Caixa tem um orçamento de R$ 84 bilhões em empréstimos nessa área, montante um pouco acima de 2016, quando atingiu R$ 81 bilhões.

Occhi citou que a economia brasileira tem dados sinais de recuperação, com queda nas taxas de juros e recuo da inflação. Segundo o presidente da Caixa, há expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mantenha um corte gradual da Selic nos próximos meses. 

Além disso, Occhi estima que a inflação siga em um patamar controlado, entre 4,0% e 4,5% ao ano até 2020. Ele lembrou ainda que nos próximos dias a Caixa liberará mais uma leva de pagamentos das contas inativas do FGTS, o que, segundo ele, ajudará a injetar cerca de R$ 10 bilhões na economia brasileira.

“Para nós, esse é um ano de confiança e de certeza de que invertemos a curva e vamos ter desenvolvimento do setor imobiliário novamente”, completou. 

Recuperação judicial. Occhi estima que hoje são menores os riscos para os mercados imobiliário e financeiro com os processos de recuperação judicial no setor, como são os casos das incorporadoras PDG Realty e Viver, cujas dívidas em reestruturação ultrapassam R$ 7 bilhões.

“A Caixa está muito pouco preocupada”, afirmou o o executivo. Segundo Occhi, o banco estatal tem mantido conversas constantes com as empresas para buscar as melhores condições para renegociação das dívidas, com alongamento dos prazos e revisões de taxas. Por conta disso, ele descartou a possibilidade de que o setor como um todo possa acabar contaminado.

“Estamos participando dessa negociação com eles, são nossos clientes e vamos participar até o final. Não tem risco sistêmico do setor. São casos pontuais e a recuperação judicial ajuda a fazer uma reestruturação da empresa e repactuação com todos os credores”, explicou. 

Expectativa. O presidente do conselho de administração da MRV Engenharia, Rubens Menin, disse acreditar que o mercado imobiliário mostrará uma retomada gradual no curto a médio prazos, sustentada pela demanda consistente por imóveis, pela continuidade do Minha Casa Minha Vida (MCMV) e pela oferta de financiamentos, ainda que o setor precise de ajustes regulatórios.

“Os anos de 2015 e 2016 não foram bons. Mas sou mais otimista do que a média. A retomada virá mais cedo do que muitos imaginam”, disse o executivo durante o Summit Imobiliário. Diante das boas perspectivas, ele disse considerar a possibilidade de o setor voltar a gerar empregos ainda neste ano, ao contrário dos períodos anteriores.

Menin observou que o Brasil ainda conserva um crescimento demográfico significativo, o que implicará na necessidade de produção de 35 milhões de moradias ao longo dos próximos 20 anos para as famílias que continuam se formando. “Isso faz do Brasil o quarto maior mercado de habitação do mundo em termos de demanda”, ressaltou o empresário, explicando que o País só é superado por China, Índia e Estados Unidos.

O presidente do conselho da MRV – principal parceira do governo no MCMV – elogiou o programa habitacional. Neste ano, o Ministério das Cidades ampliou as metas de contratação em relação a 2016 e expandiu as faixas de renda e os valores dos imóveis enquadrados. Menin observou que o programa é superavitário nas faixas 2 e 3 e voltará a ter contratações na faixa 1 neste ano.

O empresário avaliou ainda que a produção de imóveis conta com boa disponibilidade de crédito, embora seja preciso diversificar as fontes de financiamento para se evitar escassez de recursos futuramente, quando o setor estiver novamente aquecido. “Acho que vai faltar funding na retomada”, estimou, citando as oscilações na oferta de recursos originados na poupança e no FGTS.

Já no campo jurídico, o empresário voltou a defender a regulamentação dos cancelamentos dos contratos de compra e venda de imóveis – os chamados distratos. As rescisões nos contratos de unidades negociadas na planta têm provocado muitas perdas de caixa pelas empresas, ponderou. “Se não conseguirmos uma boa regulamentação, o setor vai sofrer um pouco mais. O desafio de 2017 é regulamentar os distratos.”

Segundo Menin, há um grupo de trabalho formado por representantes empresariais e membros do governo federal para discutir o assunto, mas ainda não houve acordo sobre as regras para os distratos. 

“Já fui mais otimista sobre uma solução mais rápida. Agora estou na retaguarda”, disse, indicando que ainda pode demorar até que se encontre uma solução para a questão dos distratos. 

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